Câncer colorretal: sintomas silenciosos e prevenção que todos precisam conhecer

Colonoscopia detecta precocemente câncer colorretal. (Foto: Pamai's Images via Canva)
Colonoscopia detecta precocemente câncer colorretal. (Foto: Pamai's Images via Canva)

O câncer colorretal é um tumor maligno que atinge principalmente o cólon e o reto e está entre os cânceres mais frequentes em adultos globalmente. No Brasil, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que mais de 53 mil novos casos podem ser diagnosticados até 2028, o que torna a prevenção e rastreamento uma prioridade para reduzir mortes e melhorar desfechos clínicos.

O desafio principal é que nos estágios iniciais o câncer colorretal costuma não apresentar sintomas perceptíveis, o que torna fundamental a adoção de estratégias preventivas eficazes.

Porque o rastreamento precoce é tão crucial

A colonoscopia é considerada o método mais completo para identificar precocemente alterações no intestino grosso. Evidências científicas mostram que o rastreamento com endoscopia está associado à redução significativa da incidência de câncer colorretal, mesmo diante de fatores de risco crescentes na população. 

Pesquisa da revista Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology indica que, em países que adotaram colonoscopia de rastreamento de forma ampla, a incidência de câncer colorretal entre pessoas mais velhas foi reduzida em até 50%, demonstrando o efeito protetor desse exame.

Este efeito decorre, em grande parte, da detecção e remoção de pólipos pré‑cancerosos, que podem evoluir para tumores invasivos se não forem tratados.

Fatores de risco que não podem ser ignorados

Alimentação e exercícios ajudam na prevenção do câncer. (Foto: Pixelshot via Canva)
Alimentação e exercícios ajudam na prevenção do câncer. (Foto: Pixelshot via Canva)

Alguns comportamentos e condições aumentam o risco de desenvolver câncer colorretal e merecem atenção:

  • Obesidade e excesso de peso corporal
  • Sedentarismo e baixa atividade física
  • Tabagismo
  • Dieta com baixo consumo de fibras e alta ingestão de ultraprocessados
  • Doenças inflamatórias intestinais
  • Presença de casos de câncer colorretal na família ou condições genéticas hereditárias
  • Consumo excessivo de álcool

Esses fatores podem ser parcialmente modificados com mudanças no estilo de vida, o que ajuda na prevenção.

Sinais que merecem avaliação médica imediata

Embora o câncer colorretal possa ser silencioso no início, alguns sinais podem surgir conforme a doença progride:

  • Sangue nas fezes
  • Mudanças duradouras nos hábitos intestinais, incluindo prisão de ventre ou diarreia
  • Anemia por deficiência de ferro
  • Massa dolorosa no abdome

Ao observar esses sintomas, é crucial buscar avaliação médica para investigação diagnóstica, pois o diagnóstico precoce aumenta consideravelmente as chances de tratamento bem‑sucedido.

Quem deve fazer colonoscopia e quando

Para pessoas sem histórico familiar de câncer colorretal, recomenda‑se iniciar o rastreamento com colonoscopia a partir dos 45 anos de idade. O exame pode ser repetido de 5 a 10 anos, dependendo dos achados.

Para quem tem histórico familiar de câncer colorretal em parentes de primeiro grau, recomenda‑se iniciar o rastreamento 10 anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado.

Essas orientações ajudam a identificar lesões precoces e prevenir a progressão da doença.

Hábitos que reduzem o risco de câncer colorretal

Além do rastreamento, modificar hábitos pode reduzir o risco da doença:

  • Consumir um padrão alimentar rico em fibras, frutas, legumes e vegetais
  • Praticar atividade física de forma regular
  • Evitar tabaco e consumo excessivo de álcool
  • Participar de programas de rastreamento conforme recomendado

A integração dessas ações com acompanhamento médico e exames regulares é a estratégia mais eficaz para prevenção.

Câncer colorretal em adultos jovens

Dados globais indicam aumento nos diagnósticos de câncer colorretal em pessoas mais jovens, possivelmente associado a hábitos de vida pouco saudáveis, como dieta pobre em nutrientes, sedentarismo e obesidade. Isso reforça a necessidade de vigilância e conhecimento dos fatores de risco desde a juventude.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn