Calor histórico e chuvas fortes colocam cidades brasileiras sob risco climático

Calor extremo e chuvas intensas mantêm Brasil em alerta climático (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Calor extremo e chuvas intensas mantêm Brasil em alerta climático (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

A saída de um ciclone extratropical do território brasileiro poderia sugerir um cenário de normalização do clima. No entanto, o risco não desaparece com o afastamento do sistema, pois o ambiente atmosférico segue altamente favorável à formação de chuvas intensas, rajadas de vento e descargas elétricas. O Brasil entra em uma fase marcada pela combinação delicada entre calor excessivo e umidade elevada, dois ingredientes clássicos para eventos extremos.

Além disso, as chuvas previstas não significam apenas alívio térmico. Em áreas urbanas, pancadas concentradas em curto intervalo de tempo aumentam a probabilidade de alagamentos, deslizamentos e impactos diretos à saúde pública. Logo no início da semana, o país apresenta um padrão típico de transição climática, caracterizado por:

  • Altas temperaturas persistentes;
  • Atmosfera instável;
  • Chuvas localizadas, porém intensas;
  • Risco elevado de temporais isolados.

Esse cenário exige atenção contínua, especialmente em regiões densamente povoadas.

Um país dividido entre tempestades e calor persistente

No Sul, a instabilidade perde força em algumas áreas, mas ainda provoca episódios de chuva significativa, especialmente no Paraná. Já no Sudeste, a aproximação de sistemas frontais interage com o calor acumulado, favorecendo temporais no período da tarde, sobretudo em áreas do interior paulista e de Minas Gerais.

Mesmo sem ciclone, calor e umidade seguem favorecendo temporais (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Mesmo sem ciclone, calor e umidade seguem favorecendo temporais (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Enquanto isso, o Centro-Oeste enfrenta um dos cenários mais críticos, com tempestades rápidas e volumosas, capazes de causar transtornos em poucas horas. No Norte, a combinação de calor e alta umidade mantém o risco elevado de chuvas fortes e atividade elétrica intensa. Por fim, no Nordeste, as precipitações avançam pelo interior, enquanto o litoral segue majoritariamente quente e abafado.

Calor extremo deixa de ser exceção e passa a ameaçar a saúde pública

Antes mesmo das chuvas, temperaturas próximas ou superiores a 40°C foram registradas em grandes centros urbanos, acionando protocolos de emergência. Esse tipo de calor não é apenas desconfortável: ele representa risco real à saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças cardiovasculares.

Do ponto de vista científico, esse padrão está alinhado a uma tendência já observada em estudos climáticos recentes publicados em revistas como Nature Climate Change e The Lancet Planetary Health, que apontam o aumento da frequência e intensidade de ondas de calor na América do Sul.

Como reduzir riscos em dias de calor e instabilidade?

Ondas de calor elevam riscos à saúde e exigem cuidados redobrados (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Ondas de calor elevam riscos à saúde e exigem cuidados redobrados (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Diante desse cenário climático desafiador, medidas simples podem reduzir significativamente os riscos à saúde e ao bem-estar. Manter a hidratação constante, mesmo sem sensação de sede, é fundamental para evitar desidratação e sobrecarga do organismo. Além disso, recomenda-se evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período em que a radiação solar e a sensação térmica atingem seus níveis mais elevados. 

O uso de roupas leves, aliado à permanência em ambientes bem ventilados, ajuda a regular a temperatura corporal. Também é essencial redobrar a atenção com animais de estimação e pessoas em situação de maior vulnerabilidade, como crianças e idosos, que sofrem mais rapidamente os efeitos do calor excessivo. Portanto, mesmo com o afastamento do ciclone, os riscos climáticos continuam presentes, o que exige vigilância contínua, tanto por parte da população quanto das autoridades responsáveis pela saúde e pela gestão de emergências.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.