Burnout não é doença, mas pode levar à ansiedade e depressão

Esgotamento no trabalho exige atenção à saúde mental. (Foto: Wattanaracha via Canva)
Esgotamento no trabalho exige atenção à saúde mental. (Foto: Wattanaracha via Canva)

O esgotamento no trabalho tem se tornado uma realidade cada vez mais comum, especialmente em profissões de alta pressão. Embora o burnout não seja classificado como uma doença, suas consequências podem ser sérias, incluindo maior risco de ansiedade e depressão, além de impactos diretos no desempenho profissional.

Burnout: um problema ligado ao trabalho e à sobrecarga

De acordo com revisão publicada na RevistaFT (2023), o burnout está diretamente relacionado ao estresse crônico no ambiente de trabalho, levando ao esgotamento físico e emocional dos profissionais

Esse processo não ocorre de forma repentina. Ele se desenvolve ao longo do tempo, principalmente em contextos com:

  • Alta demanda de trabalho
  • Baixo reconhecimento
  • Falta de suporte organizacional

Como resultado, o indivíduo passa a apresentar uma redução significativa da sua capacidade funcional.

Impactos que vão além do cansaço

Burnout afeta desempenho e bem-estar emocional. (Foto: Getty Images via Canva)
Burnout afeta desempenho e bem-estar emocional. (Foto: Getty Images via Canva)

O estudo destaca que o burnout não se limita ao esgotamento. Ele pode gerar consequências mais amplas, como:

  • Queda na produtividade
  • Perda de eficiência no trabalho
  • Aumento do risco de erros profissionais
  • Comprometimento da qualidade do atendimento

Em áreas como a saúde, esse impacto é ainda mais crítico, podendo afetar diretamente outras pessoas.

Relação com ansiedade e depressão

Embora o burnout não seja uma doença em si, ele cria um ambiente propício para o desenvolvimento de transtornos mentais.

O desgaste contínuo pode levar a:

  • Instabilidade emocional
  • Sensação de incapacidade
  • Desmotivação persistente

Com o tempo, esses fatores aumentam o risco de evolução para ansiedade e depressão, especialmente quando não há intervenção adequada.

Por que o manejo precisa ser combinado?

Um dos pontos mais importantes do estudo é que não existe solução única para o burnout.

Segundo a revisão, as estratégias mais eficazes envolvem uma abordagem combinada:

  • Intervenções individuais, como:
    • terapia cognitivo-comportamental
    • mindfulness
  • Mudanças organizacionais, como:
    • melhoria no ambiente de trabalho
    • novos modelos de liderança
    • divisão mais equilibrada de tarefas

Essa combinação mostrou melhores resultados tanto na redução dos sintomas quanto na prevenção de novos casos

Prevenção depende do ambiente e do indivíduo

Outro ponto relevante é que o burnout não deve ser tratado apenas como responsabilidade individual. O estudo reforça que:

  • O ambiente de trabalho tem papel central
  • O suporte organizacional reduz riscos
  • Conciliar carreira e vida pessoal é indispensável

Além disso, fatores como apoio social e familiar também atuam como proteção.

Portanto,  o burnout não é uma doença, mas isso não o torna menos importante. Pelo contrário, trata-se de um fenômeno que pode desencadear ansiedade, depressão e prejuízos significativos no desempenho profissional.

As evidências mostram que o enfrentamento eficaz depende de uma abordagem ampla, que envolva tanto mudanças individuais quanto estruturais no ambiente de trabalho.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn