Blue Origin entra na corrida e quer desafiar Starlink com 5 mil satélites

Blue Origin lança projeto para disputar a internet espacial (Imagem: Fala Ciência via Gemini)
Blue Origin lança projeto para disputar a internet espacial (Imagem: Fala Ciência via Gemini)

A chamada internet espacial está prestes a ganhar um novo protagonista. A Blue Origin, empresa aeroespacial fundada por Jeff Bezos, anunciou um projeto de grande escala para competir diretamente com sistemas como a Starlink e outras constelações em órbita. A iniciativa, batizada de TeraWave, promete redefinir o conceito de conectividade global ao apostar em uma infraestrutura inédita de satélites interligados.

Diferente de propostas voltadas ao usuário doméstico, o novo sistema tem foco claro em operações críticas, oferecendo alta capacidade de transmissão para setores que não podem depender exclusivamente de redes terrestres. Entre os principais pilares do projeto estão:

  • Mais de 5.400 satélites em operação;
  • Combinação de órbita baixa e média da Terra;
  • Conexões por radiofrequência e links ópticos;
  • Velocidades que chegam à casa dos terabits por segundo.

Uma arquitetura pensada para desempenho extremo

O grande diferencial do TeraWave está na sua estrutura híbrida. A maioria dos satélites ficará posicionada em órbita baixa, garantindo baixa latência e resposta rápida. Já uma parcela menor operará em órbita média, funcionando como nós de distribuição de tráfego em escala global.

Essa combinação permite algo raro no setor: altíssima velocidade com estabilidade, mesmo em regiões remotas ou sem infraestrutura de fibra óptica. Em termos práticos, o sistema foi desenhado para transmitir volumes massivos de dados entre continentes com desempenho comparável, ou superior, às melhores redes terrestres.

Nova constelação promete revolucionar a conectividade global (Imagem: Blue Origin)
Nova constelação promete revolucionar a conectividade global (Imagem: Blue Origin)

Ao contrário de soluções populares que atendem milhões de residências, a proposta da Blue Origin é atender cerca de 100 mil clientes estratégicos, incluindo:

  • Governos e instituições públicas;
  • Grandes empresas multinacionais;
  • Centros de dados e infraestrutura crítica;
  • Operações financeiras e científicas.

Além disso, o serviço promete velocidades simétricas, com taxas de upload tão altas quanto as de download, algo essencial para aplicações corporativas, inteligência artificial, segurança e processamento em nuvem.

TeraWave redefine como dados são transmitidos e protegidos no mundo

O TeraWave foi concebido para operar justamente onde a internet tradicional falha: áreas isoladas, ambientes extremos e locais onde instalar cabos é economicamente inviável. Nesse contexto, os satélites passam a funcionar como colunas vertebrais da economia digital, sustentando serviços essenciais de forma independente da infraestrutura física.

A previsão é que a implantação inicial da constelação comece a partir de 2027, marcando uma nova etapa da corrida tecnológica pelo controle da conectividade global.

Em síntese, a entrada da Blue Origin nesse mercado não representa apenas mais um concorrente, mas sim um salto estrutural na forma como o planeta poderá acessar, distribuir e proteger seus fluxos de dados.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.