Poucas bebidas atravessaram séculos mantendo a reputação de promover saúde como o chá. Consumido diariamente por bilhões de pessoas, ele vai muito além de um simples ritual. Evidências científicas indicam que o chá, especialmente o chá verde, está associado à melhora da saúde cardiovascular, do metabolismo e à redução do risco de doenças crônicas. No entanto, a forma de consumo faz toda a diferença. Preparações industrializadas podem transformar um hábito saudável em algo prejudicial.
Uma ampla revisão científica publicada em 2025 na revista Beverage Plant Research, intitulada Efeitos benéficos para a saúde e possíveis preocupações com a saúde do consumo de chá, analisou dados experimentais e clínicos sobre os impactos do chá no organismo.
O estudo foi liderado por Mingchuan Yang e reuniu evidências sobre benefícios, limitações e riscos associados ao consumo moderno da bebida (DOI: 10.48130/bpr-0025-0036).
Compostos bioativos que protegem o organismo
O chá é produzido a partir da planta Camellia sinensis e se destaca pela presença de polifenóis, especialmente as catequinas, compostos com potente ação antioxidante. Essas substâncias ajudam a reduzir inflamações, proteger as células contra danos oxidativos e modular processos metabólicos importantes.
De acordo com a revisão, o chá verde apresenta associação consistente com:
- Redução da pressão arterial
- Melhora do perfil de colesterol
- Menor risco de doenças cardiovasculares
- Diminuição da incidência de alguns tipos de câncer
Além disso, estudos populacionais mostram que consumidores regulares de chá tendem a apresentar menor mortalidade por todas as causas.
Metabolismo, peso e controle do diabetes
Outro ponto relevante é o impacto do chá no metabolismo energético. As catequinas parecem estimular a oxidação de gordura e melhorar a sensibilidade à insulina. Isso ajuda a explicar por que o consumo regular de chá está ligado a menor risco de obesidade e diabetes tipo 2, especialmente quando integrado a um estilo de vida equilibrado.
Esses efeitos não são imediatos, mas se acumulam ao longo do tempo, reforçando a ideia de que o chá atua como um modulador metabólico de longo prazo.
Benefícios para cérebro e músculos ao envelhecer
A revisão também aponta benefícios menos conhecidos, mas igualmente importantes. O consumo frequente de chá está associado a menor declínio cognitivo em idosos e a menos biomarcadores relacionados à doença de Alzheimer. Paralelamente, as catequinas podem ajudar a preservar a massa muscular, reduzindo a perda de força associada ao envelhecimento.
Esse conjunto de efeitos sugere que o chá pode contribuir para um envelhecimento mais saudável e funcional.
Quando o chá deixa de ser saudável?
Apesar dos benefícios, o estudo faz um alerta claro. Chás engarrafados, adoçados e chás de bolhas frequentemente contêm grandes quantidades de açúcar, adoçantes artificiais e conservantes. Esses componentes podem neutralizar os efeitos positivos do chá e aumentar o risco metabólico.
Além disso, a revisão menciona a presença ocasional de:
- Resíduos de pesticidas
- Metais pesados
- Microplásticos
Embora esses riscos sejam baixos para a maioria das pessoas, o consumo excessivo e prolongado pode ser relevante em grupos específicos.
Chá fresco continua sendo a melhor escolha
A conclusão dos pesquisadores é direta. O chá preparado na hora, sem açúcar ou aditivos, oferece os maiores benefícios à saúde.
O consumo moderado e regular está associado à redução do risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e neurodegenerativas, enquanto versões industrializadas devem ser consumidas com cautela.

