Avalanche magnética no Sol: o segredo por trás das Flares mais poderosas

Solar Orbiter mostra início explosivo das maiores tempestades solares (Imagem: ESA)
Solar Orbiter mostra início explosivo das maiores tempestades solares (Imagem: ESA)

Novas observações do Solar Orbiter da ESA revelaram como erupções solares, também chamadas de solar flares, se iniciam e se tornam tão poderosas. Diferente da ideia de uma explosão única, uma grande flare surge de uma cadeia de eventos magnéticos, semelhante a uma avalanche, onde pequenos distúrbios se multiplicam rapidamente.

Estes distúrbios aceleram partículas a velocidades extremas e geram blocos de plasma incandescentes que caem pela atmosfera solar, mesmo após o pico da explosão. Principais pontos da descoberta:

  • Observações detalhadas capturaram a flare desde os primeiros 40 minutos;
  • Pequenas linhas magnéticas se formaram e se torceram, desencadeando reconexões rápidas;
  • A energia liberada aqueceu o plasma a milhões de graus e acelerou partículas a mais de 40% da velocidade da luz;
  • Fluxos de plasma em “chuva” foram registrados, depositando energia na corona solar mesmo após a flare principal.

Como as flares se formam?

As solar flares ocorrem quando campos magnéticos retorcidos liberam a energia acumulada, em um processo conhecido como reconexão magnética, que reorganiza as linhas magnéticas em novas configurações, gerando calor extremo e intensa emissão de raios X e ultravioleta.

Visão coronal de fase impulsiva de flare M, com fontes de raios X STIX (Imagem: ESA e NASA/Solar Orbiter/Equipe EUI)
Visão coronal de fase impulsiva de flare M, com fontes de raios X STIX (Imagem: ESA e NASA/Solar Orbiter/Equipe EUI)

Pequenas reconexões se propagam em efeito dominó, formando uma verdadeira avalanche magnética, na qual uma série de eventos aparentemente pequenos se combina e se intensifica, culminando em uma explosão gigantesca. Essa sequência de fenômenos é responsável por tempestades geomagnéticas, capazes de afetar satélites, comunicações e até a segurança de astronautas no espaço.

A Importância do Solar Orbiter

Equipado com instrumentos como EUI, SPICE, STIX e PHI, o Solar Orbiter permitiu capturar imagens com resolução sem precedentes, detalhando cada fase da flare: desde a torção inicial das linhas magnéticas até a liberação de plasma em queda.

O estudo publicado na Astronomy & Astrophysics oferece uma nova visão tridimensional do fenômeno, mostrando que grandes erupções solares são formadas por muitas pequenas explosões interligadas, e não por um evento único.

Compreender essas avalanche magnética é essencial para prever tempestades solares e proteger tecnologias terrestres e missões espaciais. A pesquisa abre caminho para novas teorias sobre o comportamento do Sol e de outras estrelas, revelando o coração das explosões solares.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.