Em regiões profundas do universo, onde o tempo se mede em bilhões de anos, eventos raros deixam pistas valiosas sobre como estruturas cósmicas gigantes se formam. Um desses episódios acaba de ser identificado: um sistema galáctico em fusão que abriga três buracos negros supermassivos ativos ao mesmo tempo. O achado redefine o que se conhecia sobre interações múltiplas entre galáxias e seus núcleos centrais.
O sistema está localizado a aproximadamente 1,2 bilhão de anos-luz da Terra e reúne três galáxias em processo de aproximação gravitacional. O aspecto mais extraordinário, porém, não é apenas a fusão tripla, mas o fato de que cada galáxia mantém um núcleo galáctico ativo, alimentando seu buraco negro com grandes quantidades de gás e poeira.
Esse cenário cria uma verdadeira tempestade energética, marcada por emissões intensas em ondas de rádio e pela presença de jatos relativísticos, sinais clássicos de atividade extrema no coração das galáxias. Veja aspectos importantes dessa descoberta:
- Fusões triplas são estatisticamente raras no universo;
- Os três buracos negros estão ativos simultaneamente;
- As separações entre os núcleos indicam estágios distintos de interação;
- A atividade em rádio confirma alimentação contínua dos buracos negros.
O papel decisivo das ondas de rádio

Durante colisões galácticas, o material interestelar perde estabilidade e é canalizado para os centros das galáxias. Esse processo desperta os núcleos galácticos ativos (AGNs), capazes de liberar quantidades colossais de energia. Nesse contexto, as observações em rádio se tornam essenciais, pois conseguem atravessar regiões densas e obscurecidas, onde outros comprimentos de onda falham.
Instrumentos como o Very Large Array (VLA) e o Very Long Baseline Array (VLBA) permitiram identificar com clareza os três núcleos emissores de rádio, confirmando que se trata de um sistema triplo ativo, algo previsto teoricamente, mas raramente observado.
O que essa descoberta revela sobre a evolução do universo?
A existência de um sistema com três buracos negros supermassivos ativos em fusão oferece um vislumbre direto de como galáxias massivas crescem e se transformam ao longo do tempo. Além disso, reforça a hipótese de que interações múltiplas podem acelerar o crescimento desses objetos extremos.
Publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, o estudo abre caminho para novas observações em diferentes comprimentos de onda. Ao analisar sistemas como esse, os astrônomos avançam na compreensão dos mecanismos que moldam o universo em grande escala, onde até o improvável encontra espaço para acontecer.

