Depois de mais de uma década orbitando o planeta e contribuindo para importantes descobertas científicas, um antigo satélite da NASA encerrou definitivamente sua jornada espacial. A sonda Van Allen A reentrou na atmosfera terrestre e caiu no oceano Pacífico, marcando o fim de uma missão que ajudou a entender melhor o ambiente de radiação ao redor da Terra.
O evento ocorreu sobre uma região do Pacífico a oeste das Ilhas Galápagos, conforme monitoramento da Força Espacial dos Estados Unidos. Embora parte da estrutura tenha sido destruída pelo intenso calor da reentrada atmosférica, especialistas estimavam que alguns fragmentos poderiam sobreviver ao processo.
A espaçonave fazia parte de um par de satélites idênticos enviados ao espaço em 2012 para investigar um dos fenômenos mais importantes da física espacial: os cinturões de radiação de Van Allen, regiões cheias de partículas altamente energéticas que envolvem o planeta. Entre os principais fatos da missão estão:
- Lançamento das sondas Van Allen em 2012 para estudar radiação espacial;
- Operação científica durante cerca de sete anos, produzindo dados fundamentais;
- Encerramento das atividades em 2019, quando o combustível se esgotou;
- Reentrada antecipada da sonda Van Allen A devido à intensa atividade solar recente.
Uma missão essencial para compreender o ambiente espacial da Terra
Os cinturões de radiação de Van Allen representam um dos ambientes mais extremos do espaço próximo ao planeta. Essas regiões concentram partículas carregadas presas pelo campo magnético terrestre, capazes de danificar satélites e representar riscos para astronautas. Durante sua missão ativa, as sondas forneceram informações valiosas sobre:
- Tempestades solares;
- Variações no campo magnético;
- Comportamento de partículas energéticas no espaço próximo à Terra.
Esses dados ajudaram cientistas a compreender melhor como o clima espacial afeta tecnologias orbitais, incluindo sistemas de comunicação, navegação e satélites científicos.
Atividade solar acelerou o fim da missão
Inicialmente, os especialistas acreditavam que os satélites permaneceriam em órbita até aproximadamente 2034, mesmo após o encerramento das operações científicas. No entanto, a recente intensificação da atividade solar alterou esse cenário.
Quando o Sol passa por períodos mais ativos, ele aquece e expande as camadas superiores da atmosfera terrestre. Como consequência, aumenta o arrasto atmosférico sobre satélites em órbita, fazendo com que eles percam altitude mais rapidamente. Foi exatamente esse fenômeno que acelerou a queda da Van Allen A.
A segunda sonda ainda permanece em órbita
A missão, porém, ainda não terminou completamente. A sonda gêmea Van Allen B continua orbitando a Terra, embora esteja desativada desde 2019. As previsões indicam que ela não deverá reentrar na atmosfera antes de 2030, dependendo da evolução da atividade solar e das condições da atmosfera superior.
Mesmo após o fim de sua operação, a missão Van Allen continua sendo considerada um marco na pesquisa sobre clima espacial. Os dados coletados seguem sendo analisados por cientistas, ajudando a melhorar modelos que explicam como o ambiente espacial influencia a tecnologia e a segurança das missões espaciais.
*Texto produzido pelo Fala Ciência com autoria e revisão técnica de Leandro C. Sinis, Biólogo (UFRJ).

