Antes de morrer, estrela perdeu matéria de forma extrema, revela sinal de rádio

Ondas de rádio revelam últimos anos de vida de estrela massiva (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)
Ondas de rádio revelam últimos anos de vida de estrela massiva (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)

Antes de uma estrela massiva explodir em uma supernova, ela pode passar anos em intensa atividade, expelindo enormes quantidades de gás que, até agora, permaneciam praticamente invisíveis. Recentemente, astrônomos conseguiram detectar ondas de rádio emitidas durante esses momentos finais, oferecendo uma perspectiva inédita sobre o que acontece anos antes da catástrofe estelar.

A estrela estudada, uma supernova do tipo Ibn, liberou material rico em hélio pouco antes de se despedaçar. Esse processo de expulsão massiva cria um verdadeiro “espelho cósmico”, que amplifica os sinais quando a onda de choque da supernova interage com o material, permitindo aos cientistas reconstruir os eventos finais da estrela com precisão surpreendente.

  • Os radiotelescópios monitoraram as emissões por cerca de 18 meses, captando detalhes invisíveis à luz visível;
  • A intensa perda de massa indica que a estrela provavelmente interagia com uma companheira próxima, em um sistema binário;
  • Observações revelam processos que eram apenas teóricos até agora, incluindo a dinâmica da ejeção de hélio nos anos finais.

Como a perda de massa redefine nosso entendimento de supernovas

O estudo dessas ondas de rádio mostra que algumas supernovas são muito mais dramáticas e complexas do que se imaginava. A intensa expulsão de gás nos anos que antecedem a explosão sugere que sistemas binários podem amplificar a destruição da estrela, transformando o evento final em uma verdadeira catástrofe cósmica.

Essa nova perspectiva permite aos astrônomos não apenas entender melhor a morte estelar, mas também refinar modelos sobre a evolução de estrelas massivas e a dinâmica das supernovas raras. Combinando observações ópticas e de rádio, os cientistas podem agora rastrear fenômenos que antes eram totalmente invisíveis.

Radiotelescópios revelam segredos da morte violenta de estrelas

O uso de radiotelescópios como o Very Large Array abre uma nova era para a astronomia. Essa abordagem não substitui os telescópios ópticos, mas complementa-os, oferecendo uma visão detalhada do material expelido e da interação com a onda de choque.

O próximo passo da pesquisa será monitorar mais supernovas do tipo Ibn, com o objetivo de descobrir a frequência dessas explosões dramáticas e quais fatores determinam a intensidade da perda de massa.

Com esses dados, os cientistas poderão criar modelos mais precisos da vida e morte das estrelas massivas, oferecendo uma visão inédita sobre os eventos mais extremos do cosmos. Essa descoberta confirma que a morte estelar é um processo muito mais complexo e violento do que se pensava, e mostra que as ondas de rádio podem funcionar como uma verdadeira máquina do tempo para o estudo do universo.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.