Andropausa pode afetar 1 em cada 5 homens após os 60 anos, revela estudo

Queda hormonal pode afetar até 20% dos homens maduros (Foto: Getty Images via Canva)
Queda hormonal pode afetar até 20% dos homens maduros (Foto: Getty Images via Canva)

A andropausa, também conhecida como Deficiência Androgênica do Envelhecimento Masculino (DAEM), é uma condição que tende a surgir de forma gradual com o passar dos anos. De acordo com um estudo publicado no Indian Journal of Endocrinology & Metabolism (2021), cerca de 21% dos homens acima dos 60 anos apresentam níveis de testosterona abaixo do normal, o que confirma o impacto significativo do envelhecimento sobre a produção hormonal masculina.

Esse declínio hormonal pode influenciar tanto o corpo quanto a mente, provocando mudanças perceptíveis no vigor físico, na libido e até no humor. Embora muitas vezes seja vista como um “tabu”, a andropausa é uma condição comum e merece atenção médica, principalmente porque seus sintomas podem ser confundidos com os do estresse ou do próprio envelhecimento natural.

Sinais que merecem atenção

Os níveis de testosterona começam a diminuir por volta dos 40 anos, mas é após os 60 que os sintomas se tornam mais evidentes. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Diminuição do desejo sexual e da energia diária;
  • Disfunção erétil ou dificuldade para manter ereções;
  • Perda de músculos acompanhada por maior acúmulo de gordura no corpo;
  • Queda da densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose;
  • Alterações de humor, irritabilidade e perda de motivação.

Essas mudanças podem impactar diretamente a qualidade de vida e a autoestima masculina, afetando também as relações sociais e familiares.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da andropausa envolve avaliação clínica e exames laboratoriais que medem os níveis de testosterona total e livre. A confirmação só ocorre quando há valores hormonais reduzidos associados a sintomas típicos.

O tratamento costuma incluir terapia de reposição hormonal (TRT), sempre supervisionada por um urologista ou endocrinologista, que ajusta as doses conforme cada caso. A reposição pode ser feita por:

  • Injeções intramusculares;
  • Géis de uso tópico;
  • Adesivos hormonais.

É importante que o acompanhamento médico seja contínuo, com monitoramento dos níveis hormonais e da saúde cardiovascular, garantindo segurança e eficácia durante o tratamento.

Estilo de vida e prevenção

Atividade física regular eleva a testosterona naturalmente. (Foto: Alphaspirit.it via Canva)
Atividade física regular eleva a testosterona naturalmente. (Foto: Alphaspirit.it via Canva)

Além do tratamento, hábitos saudáveis têm papel essencial na prevenção e controle da andropausa. Exercícios físicos regulares ajudam a estimular a produção natural de testosterona, enquanto uma boa qualidade de sono contribui para a regulação hormonal.

Outras medidas recomendadas incluem:

  • Manter o peso corporal equilibrado;
  • Reduzir ou eliminar o uso de bebidas alcoólicas e do cigarro;
  • Praticar exercícios de resistência e força pelo menos 150 minutos por semana, conforme orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Essas estratégias ajudam não só a equilibrar os hormônios, mas também a melhorar o humor, a saúde cardiovascular e o desempenho sexual.

Envelhecer com equilíbrio hormonal

A andropausa não precisa ser vista como uma perda inevitável da vitalidade. Com o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado, é possível manter energia, libido e bem-estar por muitos anos. O segredo está em reconhecer os sinais e buscar ajuda médica especializada antes que os sintomas avancem.

O envelhecimento é natural, mas envelhecer com saúde e equilíbrio hormonal é uma escolha que começa com informação e autocuidado.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.