Células “zumbis”: pesquisa mostra como combatê-las sem afetar células saudáveis

Células zumbis se acumulam e aceleram o envelhecimento. (Foto: Fala Ciência via Gemini)
Células zumbis se acumulam e aceleram o envelhecimento. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

Com o avanço da idade, o corpo humano acumula células que já não funcionam como deveriam, mas que também não morrem. Conhecidas popularmente como células “zumbis”, essas estruturas permanecem ativas no organismo, liberando substâncias inflamatórias e contribuindo para o envelhecimento e o surgimento de doenças crônicas. 

Mas, uma nova descoberta científica revela um caminho promissor para identificar e eliminar essas células de forma mais precisa, abrindo novas possibilidades para retardar processos associados ao envelhecimento biológico.

O que são as células “zumbis”?

As células senescentes, conhecidas como células “zumbis”, surgem quando uma célula sofre danos irreversíveis ao longo do tempo. Em vez de se dividir ou morrer, ela entra em um estado de parada permanente. Embora esse mecanismo tenha função protetora em curto prazo, o acúmulo dessas células passa a gerar efeitos negativos no organismo.

Entre os principais impactos estão:

  • Aumento da inflamação crônica
  • Comprometimento da regeneração dos tecidos
  • Aceleração do envelhecimento celular
  • Maior risco de doenças associadas à idade

Uma nova forma de identificar células “zumbis”

Senescência celular afeta inflamação e saúde dos tecidos. (Foto: Fala Ciência via Gemini)
Senescência celular afeta inflamação e saúde dos tecidos. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

O avanço recente vem de um estudo liderado por Keenan S. Pearson, que explorou uma abordagem inovadora para reconhecer células senescentes com maior precisão. A pesquisa utilizou aptâmeros de DNA, pequenas sequências capazes de se ligar especificamente a alvos celulares.

Essa estratégia permitiu criar reagentes altamente seletivos, capazes de distinguir células envelhecidas das saudáveis. O trabalho foi publicado na revista científica Aging Cell, reconhecida por pesquisas focadas em longevidade e biologia do envelhecimento.

Por que essa descoberta é diferente?

Diferentemente de métodos anteriores, que dependiam de marcadores pouco específicos, a técnica apresentada no estudo “An Unbiased Cell-Culture Selection Yields DNA Aptamers as Novel Senescent Cell-Specific Reagents” (DOI: 10.1111/acel.70245) propõe uma identificação mais refinada das células senescentes. Isso reduz o risco de afetar células saudáveis durante possíveis intervenções terapêuticas.

Publicado em 2025, o estudo reforça que a precisão na detecção é um dos maiores desafios no desenvolvimento de terapias antienvelhecimento eficazes.

Implicações para a saúde e o envelhecimento

Eliminar seletivamente células senescentes pode trazer benefícios relevantes para diferentes sistemas do corpo. Entre os potenciais impactos observados em pesquisas experimentais estão:

  • Melhora da função tecidual
  • Redução da inflamação sistêmica
  • Preservação da mobilidade e da força muscular
  • Atraso no surgimento de doenças relacionadas à idade

Um novo capítulo na ciência da longevidade

Embora ainda em estágio experimental, essa abordagem representa um passo importante na chamada medicina senolítica, área que busca neutralizar os efeitos nocivos das células envelhecidas. Em vez de apenas tratar sintomas do envelhecimento, a ciência começa a mirar seus mecanismos celulares fundamentais.

A descoberta não promete juventude eterna, mas sinaliza que intervir no envelhecimento biológico pode se tornar cada vez mais preciso, seguro e baseado em evidências.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.