Dormir bem, manter o corpo ativo e estimular a mente são pilares conhecidos da saúde cerebral. Nos últimos anos, porém, a alimentação passou a ocupar um papel cada vez mais central nessa equação. Entre os alimentos que despertaram o interesse da ciência, uma fruta simples e comum ganhou destaque: as frutas vermelhas, especialmente aquelas ricas em pelargonidina, como o morango.
Evidências recentes sugerem que o consumo regular desses alimentos pode estar associado a menor acúmulo de alterações cerebrais ligadas à Doença de Alzheimer, uma das principais causas de demência no mundo.
O que torna as frutas vermelhas especiais
As frutas vermelhas concentram altos níveis de polifenóis, compostos bioativos conhecidos por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Entre eles, a pelargonidina, um tipo de antocianina abundante no morango, tem chamado atenção por sua possível atuação em processos celulares do cérebro.
Esses compostos ajudam a combater o estresse oxidativo e a inflamação crônica, fatores frequentemente associados ao envelhecimento cerebral e à perda progressiva de funções cognitivas.
A relação com a proteína tau

Um dos principais marcadores neuropatológicos do Alzheimer envolve a proteína tau. Em condições normais, ela auxilia na estrutura interna dos neurônios. No entanto, quando sofre alterações, passa a se acumular de forma desorganizada, prejudicando a comunicação entre as células cerebrais.
O estudo observou que indivíduos com maior ingestão de pelargonidina e frutas vermelhas apresentaram menor carga de alterações relacionadas à tau, sugerindo uma associação entre a dieta e mecanismos que influenciam a saúde neuronal ao longo do tempo.
O que mostrou a pesquisa científica
Essas conclusões fazem parte de um estudo liderado por Puja Agarwal, conduzido com base em dados de uma comunidade acompanhada ao longo dos anos. A pesquisa analisou hábitos alimentares em vida e os correlacionou com achados neuropatológicos após o falecimento dos participantes.
O trabalho foi publicado em 2022, na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease, sob o título Association of Pelargonidin and Red Berry Intake with Alzheimer’s Disease Neuropathology. O artigo descreve uma associação estatística entre o consumo desses alimentos e menores alterações cerebrais típicas da doença (DOI: 10.3233/JAD-215600).
O que isso significa na prática?
É importante destacar que o estudo não afirma que frutas vermelhas tratam o Alzheimer. No entanto, ele reforça a ideia de que padrões alimentares ao longo da vida podem influenciar a forma como o cérebro envelhece.
Nesse cenário, a ingestão frequente de frutas vermelhas, com destaque para o morango, pode estar associada a diferentes benefícios para o cérebro, como:
- Estímulo aos processos naturais de defesa dos neurônios
- Atenuação de respostas inflamatórias no sistema nervoso
- Menor envolvimento em vias relacionadas ao acúmulo de proteínas nocivas
- Manutenção das funções cognitivas ao longo do envelhecimento
Alimentação e saúde cerebral estão interligadas
Esses resultados reforçam um conjunto crescente de estudos que reconhecem a alimentação como um fator modificável importante para o funcionamento cerebral. Embora nenhum alimento, isoladamente, seja capaz de prevenir doenças neurológicas, padrões alimentares adotados de forma contínua podem influenciar positivamente a saúde do cérebro.
Dessa forma, as frutas vermelhas deixam de ser apenas um complemento nutricional e passam a ganhar relevância no debate científico sobre envelhecimento saudável, memória e proteção cognitiva.

