Pesquisadores criam vírus sintético poderoso para combater bactérias resistentes

Cientistas criam vírus sintético para combater superbactérias (Imagem: TeacherX555 via Canva)
Cientistas criam vírus sintético para combater superbactérias (Imagem: TeacherX555 via Canva)

A resistência bacteriana a antibióticos é uma das maiores ameaças à saúde global. Agora, pesquisadores estão inovando ao criar bacteriófagos sintéticos, vírus projetados para atacar bactérias, do zero, sem depender de vírus naturais. Essa abordagem promete acelerar terapias, reduzir riscos e abrir caminhos inéditos na medicina.

O estudo, publicado na PNAS por cientistas da New England Biolabs (NEB®) e da Universidade de Yale, descreve o primeiro sistema de engenharia totalmente sintética de fagos contra a Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria altamente resistente. Usando a plataforma High-Complexity Golden Gate Assembly (HC-GGA), os pesquisadores conseguem construir vírus inteiros a partir de sequências digitais de DNA, evitando limitações de métodos tradicionais. Principais avanços do sistema:

  • Montagem de genomas inteiros de bacteriófagos fora da célula;
  • Alterações genéticas planejadas, incluindo mutações, inserções e deleções;
  • Troca de genes de fibras da cauda para modificar a especificidade bacteriana;
  • Marcadores fluorescentes que permitem monitoramento em tempo real.

Montagem de DNA avançada acelera combate a bactérias resistentes

Ao contrário de técnicas convencionais, a Golden Gate Assembly utiliza fragmentos curtos de DNA, facilitando a produção e reduzindo erros. Além disso, funciona bem com genomas complexos, contendo sequências repetidas ou alto teor de GC, que normalmente complicam a engenharia genética. Isso torna o processo mais rápido, seguro e escalável, essencial para combater bactérias perigosas.

Bacteriófagos do zero prometem nova era contra resistência bacteriana (Imagem: Getty Images via Canva)
Bacteriófagos do zero prometem nova era contra resistência bacteriana (Imagem: Getty Images via Canva)

O genoma sintetizado é introduzido em cepas de laboratório seguras, transformando-se em um bacteriófago funcional. Com isso, elimina-se a necessidade de múltiplas edições em células vivas e o uso de bactérias hospedeiras especializadas.

Colaboração que transforma ciência em terapia

A inovação nasceu da parceria entre NEB e Yale, combinando anos de experiência em montagem de DNA e biologia de fagos. Estudos anteriores aplicaram a técnica em bacteriófagos de Mycobacterium e em vírus T7 usados como biossensores para detectar E. coli na água potável.

Agora, o método permite criar vírus personalizados para combater superbactérias resistentes a antibióticos, abrindo novas possibilidades terapêuticas.A capacidade de projetar vírus sob medida sinaliza uma nova era na luta contra infecções bacterianas, oferecendo esperança frente à crescente ameaça da resistência aos antibióticos.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.