A resistência bacteriana a antibióticos é uma das maiores ameaças à saúde global. Agora, pesquisadores estão inovando ao criar bacteriófagos sintéticos, vírus projetados para atacar bactérias, do zero, sem depender de vírus naturais. Essa abordagem promete acelerar terapias, reduzir riscos e abrir caminhos inéditos na medicina.
O estudo, publicado na PNAS por cientistas da New England Biolabs (NEB®) e da Universidade de Yale, descreve o primeiro sistema de engenharia totalmente sintética de fagos contra a Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria altamente resistente. Usando a plataforma High-Complexity Golden Gate Assembly (HC-GGA), os pesquisadores conseguem construir vírus inteiros a partir de sequências digitais de DNA, evitando limitações de métodos tradicionais. Principais avanços do sistema:
- Montagem de genomas inteiros de bacteriófagos fora da célula;
- Alterações genéticas planejadas, incluindo mutações, inserções e deleções;
- Troca de genes de fibras da cauda para modificar a especificidade bacteriana;
- Marcadores fluorescentes que permitem monitoramento em tempo real.
Montagem de DNA avançada acelera combate a bactérias resistentes
Ao contrário de técnicas convencionais, a Golden Gate Assembly utiliza fragmentos curtos de DNA, facilitando a produção e reduzindo erros. Além disso, funciona bem com genomas complexos, contendo sequências repetidas ou alto teor de GC, que normalmente complicam a engenharia genética. Isso torna o processo mais rápido, seguro e escalável, essencial para combater bactérias perigosas.

O genoma sintetizado é introduzido em cepas de laboratório seguras, transformando-se em um bacteriófago funcional. Com isso, elimina-se a necessidade de múltiplas edições em células vivas e o uso de bactérias hospedeiras especializadas.
Colaboração que transforma ciência em terapia
A inovação nasceu da parceria entre NEB e Yale, combinando anos de experiência em montagem de DNA e biologia de fagos. Estudos anteriores aplicaram a técnica em bacteriófagos de Mycobacterium e em vírus T7 usados como biossensores para detectar E. coli na água potável.
Agora, o método permite criar vírus personalizados para combater superbactérias resistentes a antibióticos, abrindo novas possibilidades terapêuticas.A capacidade de projetar vírus sob medida sinaliza uma nova era na luta contra infecções bacterianas, oferecendo esperança frente à crescente ameaça da resistência aos antibióticos.

