Novo material de construção captura carbono e substitui concreto tradicional

Material enzimático constrói rápido e captura carbono do ar (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)
Material enzimático constrói rápido e captura carbono do ar (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)

Um material inovador desenvolvido pelo Instituto Politécnico de Worcester (WPI) promete revolucionar a construção civil ao transformar dióxido de carbono em resistência estrutural. Batizado de material estrutural enzimático (ESM), ele extrai carbono diretamente da atmosfera enquanto se solidifica em blocos resistentes, oferecendo uma alternativa mais limpa e rápida ao concreto tradicional, que exige altas temperaturas e longos períodos de cura. Dentre os principais benefícios do ESM, destacam-se:

  • Captura mais CO₂ do que emite durante sua produção;
  • Cura rápida e moldagem versátil: componentes estruturais podem ser formados em poucas horas;
  • Sustentabilidade: totalmente reciclável e reparável, reduzindo resíduos e desperdícios;
  • Redução drástica de emissões: enquanto o concreto convencional libera cerca de 330 kg de CO₂ por metro cúbico, o ESM emite apenas 6 kg.

Como funciona o processo enzimático?

O segredo do ESM está em uma enzima que converte dióxido de carbono em minerais sólidos, que se unem formando blocos estruturais resistentes. O processo ocorre sob condições suaves, permitindo uma produção mais eficiente e com menor consumo de energia.

Nova alternativa ao concreto reduz emissões e recicla CO₂ (Imagem: Worcester Polytechnic Institute)
Nova alternativa ao concreto reduz emissões e recicla CO₂ (Imagem: Worcester Polytechnic Institute)

Além disso, a interação das partículas minerais confere resistência ajustável, tornando o material adequado para lajes de cobertura, painéis de parede, construção modular e pré-fabricada, bem como estruturas reparáveis, o que diminui o custo e prolonga a vida útil dos componentes.

Construção sustentável e impacto global

O uso em larga escala do ESM tem potencial para reduzir significativamente as emissões globais de carbono, já que a construção civil responde por cerca de 8% do CO₂ mundial. Sua aplicação vai além da construção convencional, podendo ser utilizada em habitações acessíveis, infraestrutura resiliente a desastres naturais, reconstrução rápida após eventos extremos e projetos de produção circular, com insumos renováveis e baixo consumo energético.

Essa tecnologia representa um passo decisivo para a criação de infraestruturas neutras em carbono, transformando o dióxido de carbono em um elemento construtivo funcional e apontando para um futuro mais sustentável, eficiente e inovador para toda a indústria da construção.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.