A humanidade está prestes a cruzar novamente um limite histórico. A missão Artemis II, prevista para decolar no início de fevereiro de 2026, representa o primeiro voo tripulado da NASA além da órbita baixa da Terra desde 1972. Mais do que um marco simbólico, trata-se de um passo técnico essencial para consolidar a presença humana sustentável na Lua e, futuramente, em Marte.
Diferentemente de missões anteriores, a Artemis II não tem como objetivo pousar no solo lunar. Ainda assim, seu papel é estratégico. O voo irá validar, com astronautas a bordo, sistemas críticos de suporte à vida, navegação, comunicação e controle térmico da nave Orion, lançada pelo poderoso foguete Space Launch System (SLS).
Logo após a decolagem, a missão seguirá uma sequência cuidadosamente planejada, com duração total de cerca de 10 dias. Antes de deixar a Terra, a Orion realizará órbitas de verificação, garantindo que todos os sistemas funcionem conforme o esperado. Em seguida, a trajetória inclui:
- Injeção translunar rumo à Lua;
- Sobrevoo pelo lado oculto lunar;
- Trajetória de retorno livre, sem necessidade de propulsão extra;
- Reentrada na atmosfera terrestre e amerissagem no Oceano Pacífico.
Quem são os astronautas da Artemis II?

A tripulação da missão Artemis II reúne ampla experiência operacional, diversidade internacional e um sólido histórico em missões espaciais complexas. O comandante é Reid Wiseman, acompanhado pelo piloto Victor Glover, e pelos especialistas de missão Christina Koch e Jeremy Hansen, este último representando a Agência Espacial Canadense. Esta será a primeira vez que um astronauta canadense participa de um voo tripulado ao redor da Lua, reforçando o caráter global do programa Artemis.
Artemis II abre caminho para pousos lunares e exploração do Sistema Solar
Do ponto de vista científico e tecnológico, a Artemis II funciona como um ensaio geral para missões mais ambiciosas. Os dados coletados permitirão ajustes finos antes da Artemis III, que deverá levar astronautas à superfície lunar, nas proximidades do Polo Sul, região estratégica por seu potencial de gelo de água.
Além disso, a missão testa a capacidade humana de operar por longos períodos em espaço profundo, onde a radiação, o isolamento e a distância da Terra impõem desafios fisiológicos e psicológicos relevantes.
Portanto, a Artemis II não é apenas um retorno à Lua. Ela representa a construção de uma nova rota para a exploração humana do Sistema Solar, baseada em ciência, engenharia de precisão e cooperação internacional.

