Durante décadas, o Archaeopteryx foi considerado o ícone absoluto da transição entre dinossauros e aves, vivendo há cerca de 150 milhões de anos na Europa. Com penas, dentes e garras nas asas, ele simbolizava o elo perdido do Jurássico, mas até recentemente era o único registro conhecido desse período. No entanto, uma nova descoberta na China está desafiando essa narrativa, revelando que as aves já exibiam uma diversidade anatômica e funcional surpreendente muito antes do que se imaginava.
O fóssil do Baminornis zhenghensis, encontrado na província de Fujian, apresenta características inéditas para o Jurássico:
- Pigostilo: fusão das últimas vértebras da cauda, comum em aves modernas;
- Corpo mais compacto: indicativo de aerodinâmica avançada;
- Diversidade contemporânea: coexistência com espécies primitivas como o Archaeopteryx.
Esses achados mostram que as primeiras aves não seguiram uma evolução linear. Pelo contrário, a ramificação da árvore evolutiva ocorreu muito antes do período Cretáceo, quando a diversificação global das aves se torna mais evidente.
Da cauda longa ao voo sofisticado
O Archaeopteryx, com sua cauda longa e ossos frágeis, provavelmente possuía um voo limitado, mais semelhante a pequenos impulsos para escapar de predadores do que a um deslocamento contínuo pelo ar. Em contraste, o Baminornis demonstra o início de adaptações aerodinâmicas mais avançadas, apresentando uma estrutura corporal mais leve e eficiente, além de uma cauda fundida que favorecia maior estabilidade durante o voo.

Evidências indicam também que essas aves já experimentavam diferentes estilos de voo ainda no período Jurássico. O sítio paleontológico da Fauna de Zhenghe revelou ainda outras espécies intermediárias, como o Fujianvenator, um dinossauro com características de ave que sugere uma variedade de modos de vida, incluindo o hábito de wading em ambientes aquáticos.
Implicações para a história evolutiva das aves
Essas descobertas reescrevem a linha do tempo da evolução das aves, revelando que a diversidade anatômica começou muito antes do Cretáceo. Além disso, o voo moderno já apresentava experimentos anatômicos paralelos há cerca de 150 milhões de anos, mostrando que a evolução das aves não seguiu um caminho linear.
Embora o registro fóssil do Jurássico seja ainda escasso, ele se mostra mais rico do que se pensava, evidenciando uma verdadeira explosão evolutiva de formas e funções. Publicações científicas, como a Nature, destacam que o Baminornis não apenas amplia o conhecimento sobre o período Jurássico, mas também fornece pistas valiosas sobre como os primeiros pássaros se adaptaram a diferentes habitats e desenvolveram variadas estratégias de voo.

