Por muito tempo, a fruta-do-monge foi conhecida quase exclusivamente como um adoçante natural sem calorias. No entanto, novos avanços científicos indicam que esse fruto tradicional da China pode oferecer benefícios que vão muito além do sabor doce. Pesquisas recentes demonstram que tanto a casca quanto a polpa concentram uma combinação complexa de compostos bioativos capazes de interagir com vias metabólicas importantes do organismo.
Essas descobertas ampliam o interesse da ciência nutricional por essa fruta milenar e apontam novos caminhos para sua aplicação em alimentos funcionais e suplementos naturais.
O que torna a fruta-do-monge biologicamente ativa
A Siraitia grosvenorii, pertencente à mesma família do pepino e da abóbora, apresenta uma riqueza incomum de metabólitos secundários, substâncias produzidas pelas plantas que exercem efeitos relevantes na saúde humana.
De acordo com um estudo publicado no Journal of the Science of Food and Agriculture, intitulado Metabolômica, farmacologia de redes e acoplamento molecular guiaram a discriminação de constituintes em quatro variedades de luohan guo, conduzido por Huahong Liu et al (DOI: 10.1002/jsfa.70400), esses compostos variam conforme a variedade da fruta.
Entre os principais grupos identificados, destacam-se:
- Terpenoides, associados à ação antioxidante e anti-inflamatória
- Flavonoides, conhecidos por auxiliar na proteção celular e na saúde metabólica
- Aminoácidos, essenciais para funções imunológicas e reparação tecidual
Essa diversidade química ajuda a explicar por que a fruta-do-monge desperta tanto interesse além do uso como substituto do açúcar.
Como esses compostos atuam no organismo
Mais do que identificar substâncias, os pesquisadores analisaram como esses compostos interagem com receptores antioxidantes e outros alvos celulares. Essas interações influenciam vias biológicas ligadas ao controle da inflamação, ao metabolismo energético e à proteção contra o estresse oxidativo.
Esse mecanismo é relevante porque o excesso de radicais livres está associado ao envelhecimento precoce e ao desenvolvimento de doenças crônicas. Ao atuar nessas rotas, os compostos da fruta-do-monge podem contribuir para a manutenção do equilíbrio celular.
Variedades da fruta importam

Um ponto central da pesquisa foi a comparação entre quatro variedades distintas da fruta-do-monge. Os resultados indicaram que cada uma apresenta um perfil químico específico, com variações na concentração e no tipo de compostos bioativos.
Esse mapeamento detalhado é fundamental para determinar quais variedades são mais adequadas para:
- Produtos alimentícios funcionais
- Suplementos nutricionais
- Aplicações na indústria de saúde
Muito além do adoçante natural
À medida que a ciência aprofunda o entendimento sobre sua composição, a fruta-do-monge deixa de ser vista apenas como uma alternativa ao açúcar. Ela passa a ocupar espaço como uma fonte natural de antioxidantes, com potencial impacto positivo sobre a saúde metabólica e celular.
Essas descobertas reforçam o papel da nutrição baseada em evidências e abrem caminho para novas aplicações dessa fruta tradicional na alimentação moderna.

