Cães ativos impulsionam exercício e reduzem telas entre adolescentes

Meninas com cães ativos se exercitam até 34 min a mais por dia. (Foto: Micaelo Fotografía via Canva)
Meninas com cães ativos se exercitam até 34 min a mais por dia. (Foto: Micaelo Fotografía via Canva)

A adolescência é um período crítico para a formação de hábitos de saúde. No entanto, evidências mostram que os níveis de atividade física caem drasticamente nessa fase, especialmente entre meninas. Um estudo recente realizado na Eslovênia trouxe um dado curioso e promissor: ter um cachorro em casa pode ser um fator decisivo para manter adolescentes mais ativos, reduzindo também o tempo gasto em frente às telas.

A pesquisa intitulada “From furry friends to fit teens: unveiling the role of active dog breeds in shaping adolescent physical activity and screen time behaviors”, conduzida por Saša Đurić et al, analisou dados de 2.789 adolescentes e foi publicada em uma revista científica da área de saúde e comportamento físico. O trabalho avaliou não apenas a presença do animal, mas também o nível de atividade das diferentes raças de cães.

Meninas se beneficiam mais da convivência com cães

Os resultados mostraram que meninas que vivem em casas com cachorro acumulam mais minutos diários de atividade física moderada a vigorosa, além de apresentarem menor tempo de tela, quando comparadas às que não têm cães. 

Em média, a diferença foi de 13 minutos extras de atividade física por dia, um número que aumenta significativamente quando a adolescente é a principal responsável pelos passeios.

Além disso, morar com um cachorro elevou em 39% as chances de atingir a recomendação mínima de 60 minutos diários de atividade física. Quando a jovem passeava com o cão com frequência, essa probabilidade mais que dobrou.

Raças mais ativas geram maior impacto

Um dos diferenciais do estudo foi analisar o efeito do nível de atividade das raças. Os pesquisadores classificaram os cães como pouco ativos, moderadamente ativos ou altamente ativos. O impacto foi claro: quanto mais ativa a raça, maior o benefício para as adolescentes.

Meninas que conviviam com raças altamente ativas acumularam até 34 minutos extras de atividade física por dia e reduziram em cerca de 27 minutos o tempo diário em frente às telas. Já cães pouco ativos não demonstraram o mesmo efeito protetor.

Diferenças entre meninos e meninas

Raças de cães mais ativas reduzem o tempo de tela em adolescentes. (Foto: Getty Images via Canva)
Raças de cães mais ativas reduzem o tempo de tela em adolescentes. (Foto: Getty Images via Canva)

Curiosamente, os efeitos positivos não foram tão evidentes entre os meninos. O único benefício observado foi uma redução no tempo de tela entre aqueles que conviviam com cães moderadamente ativos. Isso sugere que fatores comportamentais e sociais podem influenciar a forma como cada gênero interage com o animal.

Implicações para saúde pública

Esses achados reforçam o potencial da convivência com cães como estratégia complementar de promoção da atividade física, especialmente entre meninas adolescentes, um grupo mais vulnerável ao sedentarismo. Ainda que o estudo não estabeleça relação de causa e efeito, ele aponta caminhos relevantes para políticas de saúde e intervenções familiares.

Vale destacar que a adoção de um animal deve sempre considerar responsabilidade, bem-estar do cão e condições da família. No entanto, quando essa convivência ocorre de forma adequada, os benefícios podem ir além da saúde física, contribuindo também para o desenvolvimento emocional e social dos jovens.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.