Tartarugas-verdes ingerem plásticos e expõem poluição marinha global alarmante

Tartarugas-verdes ingerem plásticos e revelam poluição oceânica global (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Tartarugas-verdes ingerem plásticos e revelam poluição oceânica global (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

A poluição por plásticos nos oceanos não é apenas uma ameaça visual: ela atinge diretamente a vida marinha, incluindo espécies icônicas como a tartaruga-verde (Chelonia mydas). Um estudo recente, conduzido nas Ilhas Ogasawara, Japão, mostrou que 7 de 10 tartarugas analisadas apresentavam resíduos plásticos em seus tratos digestivos. Mais do que um problema local, os dados indicam que esses plásticos viajam além das áreas de migração, confirmando o impacto da poluição marinha transfronteiriça.

O estudo utilizou análises genéticas, isotópicas e de plástico, permitindo identificar tanto a dieta das tartarugas quanto a origem dos detritos ingeridos.

  • Espécie estudada: Chelonia mydas;
  • Local de estudo: Ilhas Ogasawara, Japão;
  • Plásticos detectados: meso e macroplásticos;
  • Origem: regiões além das rotas migratórias, evidenciando poluição transfronteiriça.

Como os plásticos chegam ao trato digestivo das tartarugas?

A ingestão de plásticos pelas tartarugas-verdes ocorre de duas formas principais: de maneira não seletiva, quando os plásticos se misturam com algas e alimentos naturais, e de maneira seletiva, ao confundir detritos plásticos com presas gelatinosas, como águas-vivas

Durante a migração entre o Japão continental e as Ilhas Ogasawara, as tartarugas acumulam plásticos transportados por correntes oceânicas, algas à deriva e outros detritos dispersos, evidenciando a dimensão global desse problema.

Tipos de plásticos e impactos identificados

Estudo evidencia impacto transfronteiriço da poluição marinha por plástico (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Estudo evidencia impacto transfronteiriço da poluição marinha por plástico (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Entre os indivíduos estudados, a média de itens plásticos encontrados foi de 9,2 por tartaruga, com variação de 0 a 31. A maior parte dos resíduos consistiu em macroplásticos (10 cm² a 1 m²), que representaram 56,5% do total, enquanto meso e microplásticos (<2,5 cm) também estavam presentes, embora com impacto individual menor. 

A associação entre esses plásticos e algas marinhas à deriva sugere que as tartarugas confundem os detritos com alimentos naturais, aumentando a ingestão acidental durante a migração.

Poluição plástica nos oceanos exige ação global e proteção da biodiversidade

O estudo reforça que a poluição por plásticos nos oceanos é um problema internacional, que exige cooperação entre países para reduzir a produção, uso e descarte inadequado de plásticos. As tartarugas-verdes funcionam como indicadores da saúde dos ecossistemas marinhos, mostrando que a poluição não respeita fronteiras e que medidas coordenadas são essenciais para proteger a biodiversidade.

Publicado na revista PeerJ, o estudo destaca a urgência de pesquisas contínuas e políticas globais para enfrentar o impacto da poluição plástica, preservando tanto espécies marinhas quanto a saúde dos oceanos.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.