O ano de 2025 entrou para a história como o período em que os oceanos globais absorveram a maior quantidade de calor já registrada. Pesquisadores internacionais, coordenados pela Academia Chinesa de Ciências, publicaram os resultados na revista Advances in Atmospheric Science, revelando que a energia acumulada pelas águas oceânicas atingiu 23 zettajoules, equivalente a aproximadamente 200 vezes toda a eletricidade consumida globalmente em 2023.
O estudo utilizou dados de diversas fontes confiáveis, incluindo instituições da Ásia, Europa e América, oferecendo uma visão abrangente sobre o aquecimento dos oceanos. A análise revelou que o aumento de temperatura foi mais intenso em regiões como:
- Pacífico Norte;
- Oceano Antártico;
- Atlântico Sul, responsável pelas águas que banham o Brasil.
Embora fenômenos climáticos naturais, como a transição de El Niño para La Niña, tenham gerado um leve resfriamento superficial, a redução foi insuficiente para conter o aumento de calor nas camadas profundas. Isso evidencia que os oceanos estão acumulando energia em um ritmo acelerado, além da capacidade natural de regulação climática.
Consequências do aquecimento oceânico para o planeta
O oceano funciona como um regulador climático, absorvendo calor e dióxido de carbono (CO2) e ajudando a equilibrar a temperatura global. No entanto, quando esses limites são ultrapassados, surgem efeitos preocupantes, como:
- Elevação do nível do mar, causada pelo derretimento acelerado de geleiras e mantos de gelo;
- Chuvas extremas e ciclones tropicais mais intensos, aumentando desastres naturais em regiões costeiras;
- Ondas de calor severas, que afetam ecossistemas terrestres e marinhos, comprometendo a saúde humana e animal;
- Branqueamento de corais e redução de oxigênio, prejudicando a biodiversidade marinha e ameaçando espécies fundamentais para a cadeia alimentar;
- Acidificação da água, que altera a composição química dos oceanos, dificultando a sobrevivência de organismos calcários como moluscos e plâncton.

Especialistas alertam que o acúmulo contínuo de calor nos oceanos não apenas amplifica eventos climáticos extremos, mas também reduz a capacidade do planeta de absorver CO2, agravando o efeito estufa. Sem ações climáticas globais mais robustas, os impactos podem se tornar irreversíveis, ameaçando populações humanas, economias costeiras e ecossistemas inteiros.
Além disso, o monitoramento constante do calor armazenado nos oceanos torna-se uma ferramenta estratégica para prever mudanças climáticas futuras, orientar políticas ambientais e proteger a biodiversidade. Estudos recentes indicam que cada zettajoule de energia armazenado corresponde a enormes transformações no clima, reforçando a urgência em reduzir as emissões de gases de efeito estufa e adotar medidas de mitigação climática em escala global.
A mensagem dos cientistas é clara: os oceanos estão pedindo socorro. Se a sociedade global não agir rapidamente para limitar o aquecimento e reduzir a pressão sobre os ecossistemas marinhos, o planeta poderá enfrentar consequências cada vez mais severas, incluindo crises alimentares, perda de espécies e aumento da vulnerabilidade humana frente a desastres naturais.

