Uma galáxia espiral em fusão chamada VV 340a revelou algo que os astrônomos nunca haviam visto antes: um jato de buraco negro supermassivo capaz de impactar toda a galáxia, muito além do núcleo central. Diferente do esperado, onde jatos poderosos ocorrem principalmente em galáxias elípticas antigas, aqui a atividade está em uma galáxia ainda formando estrelas, abrindo novas perspectivas sobre a evolução cósmica.
O fenômeno foi detectado através de uma colaboração entre múltiplos observatórios, combinando dados ópticos, infravermelhos e de rádio. Entre os destaques da descoberta:
- Gás coronal superaquecido: registrado pelo Telescópio Espacial James Webb, atingindo temperaturas extremas no núcleo da galáxia;
- Gás mais frio e extenso: observado pelo KCWI do Observatório WM Keck, mostrando material arrastado para fora do disco galáctico;
- Jatos helicoidais em precessão: imagens de rádio do VLA exibem oscilações lentas na direção dos jatos, fenômeno raro e significativo.
Como o jato influencia a galáxia inteira
Além de impressionante visualmente, o jato possui energia suficiente para impactar a formação estelar. À medida que o fluxo desacelera, ele arrasta consigo gás mais frio, removendo material que seria usado para criar novas estrelas. A taxa de remoção equivale à formação de quase 20 sóis por ano, indicando que o jato pode frear drasticamente a evolução estelar de VV 340a.
Essa descoberta desafia conceitos anteriores, mostrando que galáxias jovens em formação podem, sim, ser moldadas por buracos negros de maneira tão intensa quanto galáxias antigas.
Tecnologia por trás da descoberta

O sucesso desta pesquisa se deve à abordagem multidimensional, combinando diferentes técnicas de observação. Observações ópticas realizadas pelo Keck permitiram mapear o gás mais frio e acompanhar sua propagação pela galáxia.
Ao mesmo tempo, dados infravermelhos obtidos pelo James Webb revelaram a energia concentrada no núcleo, enquanto imagens de rádio do VLA mostraram a estrutura helicoidal dos jatos e sua precessão ao longo de milhares de parsecs.
Essa integração de observatórios possibilitou quantificar a energia do jato, modelar seu impacto sobre o futuro da galáxia e levantar a hipótese de que um sistema binário de buracos negros poderia estar presente.
VV 340a revela como buracos negros transformam galáxias inteiras
VV 340a demonstra que buracos negros supermassivos podem remodelar galáxias inteiras, e não apenas seus núcleos, abrindo novas oportunidades para compreender a formação e supressão estelar em galáxias jovens, as interações entre jatos de buracos negros e discos galácticos, além de possíveis eventos semelhantes na Via Láctea e outras galáxias espirais.
Observações de rádio de alta resolução poderão revelar mais detalhes sobre a origem da precessão do jato, possivelmente indicando a presença de um segundo buraco negro. Em suma, VV 340a oferece uma janela inédita para entender a evolução galáctica em escala cósmica.

