Fósseis reanalisados revelam dinossauro gigante desconhecido há mais de um século

Fósseis do início do século XX são analisados novamente. (Foto: Divulgação / Universidade de Ciência e Tecnologia de Harrisburg)
Fósseis do início do século XX são analisados novamente. (Foto: Divulgação / Universidade de Ciência e Tecnologia de Harrisburg)

Nem toda grande descoberta acontece em campo. Às vezes, ela surge em gavetas de museus. Foi exatamente isso que ocorreu com uma nova espécie de dinossauro gigante, identificada a partir de fósseis coletados há mais de 100 anos, mas somente agora reconhecidos como pertencentes a um animal até então desconhecido pela ciência. 

A reanálise desses restos fósseis trouxe à luz um colosso herbívoro que viveu no atual Novo México há cerca de 75 milhões de anos.

Fósseis antigos, nova identidade

Os fósseis que levaram à identificação do Ahshislesaurus wimani foram coletados entre 1916 e o início do século XX em um sítio fossilífero conhecido como Ah-Shi-Sle-Pah, no noroeste do Novo México. O local é famoso por preservar camadas ricas do Cretáceo tardio, mas, na época, o conhecimento anatômico sobre hadrossauros ainda era limitado.

Durante décadas, esses ossos foram atribuídos a outra espécie já conhecida. No entanto, uma revisão detalhada revelou diferenças anatômicas consistentes, suficientes para justificar a criação de uma nova espécie.

Entre os fósseis analisados estavam:

  • Fragmentos de crânio
  • Partes da mandíbula
  • Vértebras e outros ossos pós-cranianos

Esses elementos permitiram reconstruir com maior precisão o tamanho, a postura e o modo de vida do animal.

O que os ossos revelam sobre o animal?

O dinossauro atingia até cerca de 12 metros de extensão. (Foto: Divulgação / Universidade de Ciência e Tecnologia de Harrisburg)
O dinossauro atingia até cerca de 12 metros de extensão. (Foto: Divulgação / Universidade de Ciência e Tecnologia de Harrisburg)

A anatomia preservada nos fósseis indica que o Ahshislesaurus era um hadrossauro de grande porte, podendo alcançar entre 10 e 12 metros de comprimento e pesar mais de oito toneladas. O formato da mandíbula e do crânio aponta para uma dieta baseada em vegetação abundante, processada por um eficiente sistema de mastigação típico dos dinossauros de bico de pato.

Além disso, a distribuição e repetição de fósseis semelhantes na região sugerem que esses animais viviam em grupos, um comportamento inferido a partir do contexto fossilífero e da comparação com espécies aparentadas.

Revisitar fósseis muda a ciência

O estudo que descreve a nova espécie foi conduzido por Steven Jasinski e colaboradores, com publicação no periódico Bulletin of the New Mexico Museum of Natural History and Science. A pesquisa reforça um ponto central da paleontologia moderna: coleções históricas ainda guardam descobertas fundamentais.

Com técnicas atuais e maior compreensão evolutiva, fósseis antigos podem revelar informações que passaram despercebidas por gerações de cientistas.

Um registro valioso do Cretáceo tardio

Ilustração reconstrói a aparência do dinossauro bico de pato. (Foto: Divulgação / Universidade de Ciência e Tecnologia de Harrisburg)
Ilustração reconstrói a aparência do dinossauro bico de pato. (Foto: Divulgação / Universidade de Ciência e Tecnologia de Harrisburg)

Os fósseis do Ahshislesaurus também ajudam a reconstruir o ecossistema do sudoeste da América do Norte pouco antes da extinção dos dinossauros. Eles coexistiam com grandes predadores, como tiranossauros regionais, além de crocodilianos, pterossauros, anfíbios e pequenos mamíferos.

Cada osso analisado amplia o entendimento sobre:

  • A diversidade dos hadrossauros
  • A evolução dos grandes herbívoros
  • As conexões biogeográficas entre continentes

Mais do que revelar um novo dinossauro, essa descoberta mostra que o passado ainda pode ser reescrito, mesmo sem novas escavações. Fósseis esquecidos podem esconder capítulos inteiros da história da vida na Terra.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.