Vitamina B12 surpreende ao mostrar efeito protetor no pâncreas

Vitamina B12 mostra efeito protetor no tecido pancreático. (Foto: Getty Images via Canva)
Vitamina B12 mostra efeito protetor no tecido pancreático. (Foto: Getty Images via Canva)

A ideia de que alimentos podem funcionar como ferramentas terapêuticas deixou de ser apenas um conceito alternativo e passou a ganhar respaldo científico. Nos últimos anos, essa abordagem vem crescendo rapidamente, impulsionada por estudos que conectam nutrientes específicos à prevenção e ao controle de doenças complexas. Atualmente, uma nova descoberta envolvendo a vitamina B12 reforça ainda mais essa mudança de paradigma.

O avanço está diretamente ligado à compreensão do papel da vitamina B12 na pancreatite aguda, uma condição inflamatória grave que afeta o pâncreas e representa uma das principais causas de hospitalização no mundo. Em parte significativa dos casos, a doença evolui para formas moderadas ou severas, com risco elevado de complicações sistêmicas.

Nova função para a vitamina B12

Alimentos ricos em B12 ganham destaque na nutrição funcional. (Foto: Getty Images via Canva)
Alimentos ricos em B12 ganham destaque na nutrição funcional. (Foto: Getty Images via Canva)

Tradicionalmente conhecida por sua importância na formação das células sanguíneas, no funcionamento do sistema nervoso e no metabolismo energético, a vitamina B12 agora surge associada à proteção direta do tecido pancreático. O estudo científico intitulado Vitamin B12 protects necrosis of acinar cells in pancreatic tissues with acute pancreatitis, publicado na revista Wiley Online Library, revelou que níveis mais elevados dessa vitamina estão ligados a menor risco de diferentes formas de pancreatite.

Os pesquisadores Chuanwen Fan e Xianming Mo demonstraram que a vitamina B12 atua protegendo as células acinares, responsáveis pela produção de enzimas digestivas. Durante a pancreatite aguda, essas células sofrem necrose, o que agrava a inflamação e acelera a progressão da doença. A presença adequada de B12 reduz esse dano celular e favorece a recuperação do tecido.

Energia celular e controle da inflamação

Outro ponto relevante do estudo foi a relação entre a vitamina B12 e a produção de adenosina trifosfato, principal fonte de energia das células. O aumento da disponibilidade energética no tecido pancreático ajuda a preservar a integridade celular, reduzindo processos inflamatórios e prevenindo o avanço da lesão.

Além disso, a vitamina demonstrou capacidade de modular a resposta imunológica, diminuindo a infiltração de células inflamatórias no pâncreas. Esse efeito combinado reforça o potencial terapêutico da B12 tanto na prevenção quanto na redução da gravidade da pancreatite.

Alimentos como estratégia de saúde

Essas descobertas fortalecem a tendência global conhecida como “alimentos como remédio”, que já movimenta bilhões de dólares no mercado de alimentos funcionais. Alimentos naturalmente ricos em vitamina B12 passam a ganhar destaque, como:

  • Carnes vermelhas
  • Aves
  • Peixes e frutos do mar
  • Leite e derivados
  • Ovos

Além disso, cresce o interesse por alimentos fortificados, especialmente entre pessoas que seguem dietas vegetarianas ou veganas, nas quais a ingestão natural de B12 é limitada.

O estudo amplia a compreensão de que nutrientes específicos podem influenciar diretamente processos inflamatórios e metabólicos, indo além da nutrição básica. Assim, a vitamina B12 se consolida como um exemplo claro de como escolhas alimentares podem impactar não apenas o bem-estar geral, mas também a prevenção de doenças complexas.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.