Estudos recentes mostram que cães com osteossarcoma, um câncer ósseo agressivo, estão ajudando cientistas a desenvolver testes precoces e mais precisos para humanos.
O estudo conduzido pelo Ontario Veterinary College, da Universidade de Guelph, revelou que certas moléculas presentes no sangue dos cães, conhecidas como microRNAs, podem servir como biomarcadores genéticos capazes de prever a progressão da doença e a probabilidade de metástase.
Esse avanço abre uma nova perspectiva tanto para pacientes humanos quanto para os animais de estimação, criando um elo translacional entre medicina veterinária e humana.
Osteossarcoma: desafios no diagnóstico humano
O osteossarcoma atinge principalmente crianças e jovens adultos, sendo um câncer de rápido crescimento e com alto risco de metástase. Atualmente, o diagnóstico humano depende de:
- Biópsias e exames histológicos do tumor
- Tomografias e outros exames de imagem
Esses métodos são eficazes, mas muitas vezes não detectam metástases de forma precoce, limitando as chances de intervenção rápida. Curiosamente, o câncer ósseo é até dez vezes mais comum em cães de grande porte, permitindo aos pesquisadores estudar o avanço da doença em um modelo natural e muito similar ao humano.
MicroRNAs: sinais genéticos que revelam o futuro do câncer

Os microRNAs são pequenas moléculas que regulam o crescimento celular e o comportamento das células cancerígenas. A pesquisa da equipe DOGBONe identificou que:
- Níveis elevados de determinados microRNAs em cães estão associados a metástase rápida
- Eles permitem prever tempo de sobrevida e progressão da doença
- Podem orientar decisões entre tratamento agressivo ou cuidados paliativos
Esses microRNAs oferecem um novo biomarcador para detecção precoce, representando uma ferramenta poderosa tanto para veterinários quanto para oncologistas humanos.
Tecnologia que acelera diagnósticos
Além de identificar os microRNAs, os cientistas estão desenvolvendo um sistema de laboratório em um chip capaz de medir essas moléculas diretamente no sangue.
- O dispositivo utiliza microcanais e microfluidos para realizar testes que normalmente exigiriam laboratórios completos
- Permite diagnósticos mais rápidos e menos invasivos
- Inspirado em testes rápidos de COVID-19, mas adaptado para prever metástase do osteossarcoma
Essa tecnologia pode transformar completamente a maneira como o câncer ósseo é detectado e monitorado em humanos.

