Pesquisadores brasileiros usam peçonha de vespa para combater Alzheimer

Molécula de veneno de marimbondo mostra avanço contra Alzheimer (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Molécula de veneno de marimbondo mostra avanço contra Alzheimer (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Pesquisadores brasileiros estão no caminho de uma nova frente terapêutica contra o Alzheimer usando uma molécula derivada do veneno da vespa Polybia occidentalis. O composto, chamado octo vespina, foi modificado para bloquear a proteína beta-amiloide, responsável pela formação de placas que prejudicam a comunicação entre os neurônios.

Estudos laboratoriais com animais demonstraram resultados animadores: redução significativa dos déficits cognitivos típicos da doença. A inovação está em transformar um veneno natural em uma molécula terapêutica segura, abrindo possibilidades para testes em humanos no futuro. Principais avanços da pesquisa:

  • Modificação da octo vespina: imita a estrutura da beta-amiloide e impede agregação nociva;
  • Via intranasal: garante que a substância chegue ao cérebro sem degradação rápida;
  • Apoio da bioinformática: simula o comportamento da molécula em humanos antes dos ensaios clínicos.

Por que a aplicação direta no cérebro foi descartada?

Inicialmente, a equipe considerou injetar a molécula diretamente no cérebro, mas a substância se degrada rapidamente no tecido neural. Assim, os pesquisadores desenvolveram vias alternativas, sendo a intranasal a mais promissora. Esse método permite que a molécula atinja o sistema nervoso central com segurança, aumentando as chances de sucesso em futuros testes clínicos.

Pesquisadores brasileiros testam nova terapia inovadora para Alzheime (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)
Pesquisadores brasileiros testam nova terapia inovadora para Alzheime (Imagem: Getty Images/ Canva Pro)

Apesar do avanço, a pesquisa enfrenta obstáculos estruturais e financeiros típicos de projetos nacionais:

  • Equipamentos sofisticados difíceis de adquirir;
  • Custos elevados de simulações computacionais;
  • Necessidade de compostos químicos importados.

O apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) foi essencial para manter o estudo em andamento e ampliar sua maturidade científica. Sem esse suporte, o projeto dificilmente teria avançado além das fases iniciais.

Perspectivas e impacto no futuro do Alzheimer

Ainda sem cura definitiva, o tratamento proposto pelos cientistas brasileiros pode retardar a progressão da doença, bloqueando um de seus principais mecanismos biológicos. Se os ensaios clínicos confirmarem os resultados obtidos em laboratório, o Brasil poderá se tornar referência em pesquisas sobre doenças neurodegenerativas.

Enquanto isso, o diagnóstico precoce continua essencial. Sintomas como perda de memória, desorientação e dificuldade em tarefas cotidianas devem ser observados, pois a intervenção antecipada aumenta a qualidade de vida do paciente.A descoberta da molécula derivada do veneno de marimbondo representa não apenas um avanço científico, mas também uma esperança concreta para milhões de brasileiros que vivem com Alzheimer ou correm risco de desenvolver a doença.

Leandro Sinis é biólogo, formado pela UFRJ, e atua como divulgador científico. Apaixonado por ciência e educação, busca tornar o conhecimento acessível de forma clara e responsável.