Em 2025, 64% dos brasileiros declararam não consumir álcool, marcando um aumento significativo em relação a 2023, quando 55% afirmaram ser abstêmios. O levantamento, conduzido pela Ipsos-Ipec a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) para a publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025, destaca mudanças importantes nos hábitos da população.
O crescimento da abstinência é mais evidente entre jovens de 18 a 34 anos, especialmente em regiões metropolitanas e capitais, e entre indivíduos com ensino superior e das classes A/B. Esses dados revelam uma tendência internacional de redução no consumo de álcool, especialmente entre adultos mais jovens.
Padrões de consumo e frequência de bebida
Embora a abstinência aumente, o estudo identificou que o consumo ocasional ainda persiste:
- 39% dos bebedores consomem uma a duas doses por ocasião.
- A frequência semanal ou quinzenal de ingestão caiu 6 pontos percentuais.
Apesar da redução geral, o consumo abusivo permanece um desafio para a saúde pública. Entre os bebedores excessivos, 82% acreditam beber moderadamente, enquanto apenas 9% reconhecem a necessidade de reduzir a ingestão.
Grupos mais vulneráveis ao consumo abusivo

O levantamento também evidenciou perfis populacionais com maior risco de bebida pesada (7 doses ou mais por ocasião):
- Homens: 26% praticam consumo intenso.
- Idade entre 25 e 44 anos: 54% apresentam padrão abusivo.
- Ensino médio completo: 25% dos indivíduos consomem álcool em excesso.
- Regiões Norte e Centro-Oeste: 31% registram consumo pesado.
Esses dados são importantes para orientar políticas de prevenção e educação em saúde.
Impactos na mortalidade e hospitalizações
O uso nocivo do álcool continua a provocar consequências graves no Brasil:
- Óbitos atribuíveis ao álcool: 73.019 em 2023, representando taxa de 34,5 por 100 mil habitantes, com aumento de 10,2% desde 2010. Estados com maiores taxas incluem Espírito Santo, Paraná, Piauí e Tocantins.
- Internações relacionadas ao álcool: 418.467 em 2024, equivalente a 196,8 internações por 100 mil habitantes. Paraná, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul lideram os índices.
Apesar da queda no consumo entre jovens, os números reforçam que o álcool ainda representa um sério problema de saúde pública.
Desafios futuros
A pesquisa revela uma mudança significativa nos hábitos dos brasileiros, com aumento da abstinência e redução do consumo abusivo entre os jovens. No entanto, o consumo pesado e o reconhecimento limitado dos próprios exageros ainda constituem um desafio.
Ações de conscientização, educação sobre moderação e acompanhamento médico são essenciais para reduzir os riscos associados ao álcool e proteger a saúde da população.

