Entenda o que é surto psicótico e como proteger quem está em crise

Psicose pode estar ligada à esquizofrenia, bipolaridade e drogas. (Foto: Africa Images)

Em determinadas situações, o cérebro pode entrar em um estado de confusão profunda, no qual a pessoa perde momentaneamente o contato com a realidade. Esse fenômeno, conhecido como surto psicótico, costuma surgir de forma súbita e pode causar medo, desorientação e comportamentos imprevisíveis. 

Nesses momentos, o indivíduo acredita firmemente em ideias ou percepções que não correspondem ao mundo real, e, por isso, o apoio rápido e adequado é essencial para evitar riscos e preservar a saúde mental.

Causas e condições associadas à psicose

A psicose não é uma doença isolada, mas sim um sintoma presente em diversos transtornos psiquiátricos e neurológicos. Entre as causas mais comuns estão:

  • Esquizofrenia e transtorno bipolar, que podem gerar delírios e alucinações;
  • Doença de Alzheimer e outras demências;
  • Epilepsias que afetam áreas específicas do cérebro;
  • Uso de substâncias psicoativas, como cocaína, LSD ou maconha em grandes quantidades;
  • Interrupção de medicamentos psiquiátricos sem orientação médica.

Além disso, fatores como estresse extremo, privação de sono e histórico familiar de transtornos mentais também podem contribuir para o surgimento de um episódio psicótico.

Como identificar o início de um surto psicótico

Mudanças sutis no comportamento podem indicar início de surto. (Foto: Africa Images)

Um surto raramente acontece de forma abrupta. Em muitos casos, mudanças sutis de comportamento podem ser observadas dias antes da crise. Entre os sinais de alerta estão:

  • Alterações no humor, com períodos de irritação ou euforia;
  • Falas desconexas e ideias confusas;
  • Insônia e agitação constante;
  • Sensação de perseguição ou crenças fora da realidade;
  • Isolamento repentino e perda de interesse por atividades diárias.

Reconhecer essas transformações precocemente é fundamental para buscar ajuda médica antes que o quadro se agrave.

O que fazer durante um surto psicótico

Durante uma crise, a segurança deve ser a prioridade. É importante manter a calma, evitar discussões e não tentar conter fisicamente o paciente, pois isso pode aumentar a agitação. O ideal é falar com tranquilidade, permanecer em um ambiente seguro e chamar ajuda profissional o quanto antes.

Em situações de risco, é recomendado acionar o Samu (192) para que o paciente seja levado a um atendimento de emergência, onde poderá receber medicamentos e cuidados adequados.

Tratamento e recuperação: o papel do acolhimento

O tratamento dos episódios psicóticos combina uso de medicamentos antipsicóticos e acompanhamento psicológico contínuo. A Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216/2001) garante que o tratamento priorize o cuidado em liberdade e próximo da família, reservando a internação apenas para casos de risco.

Quando o quadro é controlado, o foco passa a ser a reintegração social e o fortalecimento do vínculo familiar, fundamentais para evitar recaídas. Com acompanhamento adequado, a maioria dos pacientes consegue recuperar o equilíbrio mental e retomar sua rotina com segurança e autonomia.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter informativo e educacional, não substituindo, em hipótese alguma, a avaliação, diagnóstico ou tratamento de um profissional de saúde qualificado.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica e editora de saúde do Portal Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação na internet, garantindo que o conteúdo seja sempre baseado em rigor técnico, empatia e evidências científicas de qualidade. Ver perfil no LinkedIn