Aperto de mão fraco pode ser um sinal oculto de pressão alta e risco cardíaco 

Dinamômetro mede a força exercida pelos músculos da mão. (Imagem: Fala Ciência)

A força usada para apertar uma mão parece um detalhe banal, mas pode carregar informações sobre o estado geral do organismo. Pesquisadores descobriram que uma menor força de preensão manual está associada a maior risco de desenvolver hipertensão, levantando a possibilidade de que esse teste simples seja útil como um marcador complementar da saúde cardiovascular.

Isso não significa que uma pessoa com aperto fraco tenha pressão alta. Entretanto, a força muscular está relacionada a diversos aspectos da saúde metabólica e funcional. Por isso, alterações nessa capacidade podem servir como um sinal de que vale a pena investigar outros fatores de risco.

A mão pode revelar mais do que força muscular

Avaliação de força manual não substitui a pressão. (Imagem: Fala Ciência)

A força de preensão manual é normalmente medida com um dinamômetro, aparelho que registra quanta força uma pessoa consegue exercer ao apertar uma alça.

O teste é simples, rápido e não invasivo. Além disso, a força das mãos pode refletir parcialmente a condição muscular global. Quando analisada em conjunto com idade, peso e outras características corporais, ela pode oferecer informações adicionais sobre a saúde.

Porém, não substitui a aferição da pressão arterial. Uma pessoa pode apresentar hipertensão mesmo tendo boa força muscular, assim como alguém com pouca força pode não ter pressão elevada.

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Estudo acompanhou adultos durante 18 anos

A associação foi investigada por Seung Ku Lee, primeiro autor de um estudo publicado no Journal of Human Hypertension. O trabalho foi disponibilizado online em 6 de junho de 2026 e integrou a edição de agosto da revista.

Os pesquisadores acompanharam 3.038 adultos entre 40 e 69 anos que não apresentavam hipertensão no início da pesquisa, durante um período de 18 anos. O objetivo era verificar se diferentes níveis de força muscular estavam relacionados ao aparecimento posterior da doença.

Os resultados encontraram uma associação importante entre baixa força de preensão manual e maior incidência de hipertensão. Dependendo do critério utilizado para definir fraqueza muscular, o risco observado foi cerca de 52% a 68% maior em comparação com os grupos de referência.

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Um indicador que pode complementar a avaliação

A hipertensão é um dos principais fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares, incluindo problemas que afetam coração e vasos sanguíneos. Por isso, identificar características associadas ao desenvolvimento da pressão elevada pode ajudar pesquisadores e profissionais de saúde a compreender melhor quem necessita de acompanhamento.

Ainda assim, é importante interpretar o resultado corretamente. O estudo mostra uma associação estatística, não prova que a perda de força provoque hipertensão.

Além disso, o diagnóstico continua dependendo da medição adequada da pressão arterial, geralmente realizada em mais de uma ocasião quando necessário.

A força de preensão pode, no futuro, ganhar espaço como uma informação complementar em avaliações de saúde, principalmente por ser um teste barato e simples. Entretanto, seus resultados precisam ser interpretados junto com idade, composição corporal, atividade física, alimentação, histórico familiar e medidas de pressão arterial.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn