Segunda-feira pode ser um dia crítico para o coração, revela estudo 

Estudo revela o impacto da rotina no coração. (Foto: Getty Images via Canva)

A segunda-feira costuma ser associada ao retorno da rotina, compromissos e mudanças bruscas após o período de descanso. Porém, para o coração, esse início de semana pode representar um momento de maior atenção. Pesquisas vêm investigando um padrão conhecido como “efeito segunda-feira”, no qual determinados eventos cardiovasculares parecem ocorrer com maior frequência nesse dia.

A explicação não está apenas no calendário. O organismo humano funciona seguindo ritmos biológicos, e alterações no sono, alimentação, níveis de estresse e horários podem influenciar diretamente o sistema cardiovascular.

A transição do descanso para a rotina pode exigir mais do organismo

Durante o fim de semana, muitas pessoas mudam seus hábitos: dormem em horários diferentes, alteram a alimentação, reduzem atividades profissionais e diminuem a pressão da rotina.

Quando chega a segunda-feira, ocorre uma retomada mais intensa das demandas diárias. Essa mudança pode envolver aumento da ativação do sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para situações de alerta.

Esse processo pode provocar alterações como:

  • Elevação da frequência cardíaca.
  • Aumento da pressão arterial.
  • Maior liberação de hormônios relacionados ao estresse.
  • Mudanças no padrão de sono.

Em pessoas que já possuem fatores de risco cardiovasculares, essas alterações podem contribuir para o surgimento de eventos agudos.

O relógio biológico também participa dessa resposta

O corpo humano possui um sistema interno de controle chamado ritmo circadiano, que regula funções como sono, temperatura corporal, metabolismo e atividade hormonal.

Durante as primeiras horas da manhã, naturalmente ocorre uma maior ativação do organismo para despertar e iniciar as atividades do dia. Quando esse período coincide com o retorno da rotina semanal, alguns pesquisadores acreditam que pode existir uma combinação de fatores que aumenta a vulnerabilidade cardiovascular.

Estudo identifica aumento de emergências cardiovasculares às segundas-feiras

Um estudo publicado na revista Medicina (Kaunas), liderado por Gamze Yeter Arslan e publicado em 13 de janeiro de 2026, analisou a relação entre o início da semana e a ocorrência de emergências cardiovasculares.

A pesquisa avaliou 500 pacientes atendidos por eventos como infarto com elevação do segmento ST, infarto sem elevação do segmento ST, angina instável, arritmias graves e crises hipertensivas.

Os resultados mostraram que a segunda-feira apresentou a maior concentração de casos entre os dias analisados, representando 19,6% dos eventos, enquanto o domingo apresentou a menor proporção, com 10,6%. O estudo também observou maior concentração de episódios no período da manhã, especialmente entre 6h e 10h.

Os pesquisadores apontaram que fatores como estresse psicossocial, ativação hormonal e alterações do sistema nervoso autônomo podem estar envolvidos nesse padrão observado.

Como proteger o coração durante a mudança de rotina

Embora a segunda-feira não seja uma causa direta de problemas cardíacos, ela pode funcionar como um momento em que diferentes fatores de risco se encontram.

Algumas atitudes ajudam a manter o sistema cardiovascular mais equilibrado:

  • Manter horários regulares de sono durante toda a semana.
  • Evitar mudanças extremas de rotina entre sábado e domingo.
  • Controlar pressão arterial, colesterol e glicemia.
  • Praticar atividade física regularmente.
  • Gerenciar níveis de estresse.

O chamado efeito segunda-feira mostra como o coração responde não apenas às doenças, mas também aos hábitos diários e aos ciclos do organismo. A ciência continua investigando essa relação para entender melhor como pequenas mudanças na rotina podem influenciar a saúde cardiovascular.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn