3 alimentos do dia a dia ajudam no combate às varizes, diz estudo

Dieta pode influenciar na saúde das varizes. (Foto: Getty Images via Canva)
Dieta pode influenciar na saúde das varizes. (Foto: Getty Images via Canva)

As varizes afetam milhões de pessoas e vão muito além de uma questão estética. Elas estão ligadas a alterações na circulação, inflamação e enfraquecimento das paredes das veias. No entanto, um estudo recente publicado na Revista de Alimentos e Nutrição de Bangladesh, conduzido por Rehan Haider Naqvi em novembro de 2025, trouxe uma perspectiva interessante: compostos naturais presentes em alimentos comuns podem atuar como aliados na saúde vascular.

O que acontece nas varizes

As varizes surgem principalmente devido à insuficiência venosa, quando as válvulas das veias não funcionam corretamente. Como resultado, o sangue se acumula, provocando dilatação e alterações estruturais.

Além disso, fatores como:

  • Estresse oxidativo
  • Inflamação crônica
  • Danos ao endotélio vascular

contribuem diretamente para a progressão do problema.

Segundo o estudo, os tratamentos convencionais aliviam sintomas, mas nem sempre atuam nesses mecanismos biológicos mais profundos. É justamente aí que entram os compostos naturais.

Três alimentos comuns com ação vascular potente

Alho, cebola e azeite ajudam a circulação. (Foto: Fala Ciência via Gemini)
Alho, cebola e azeite ajudam a circulação. (Foto: Fala Ciência via Gemini)

A pesquisa destaca que esses alimentos possuem substâncias bioativas com efeitos diretos na circulação:

  • Alho
    Rico em compostos sulfurados como a alicina, pode melhorar a produção de óxido nítrico, favorecendo a vasodilatação e reduzindo a agregação plaquetária.
  • Cebola
    Fonte de flavonoides como a quercetina, apresenta ação anti-inflamatória e ajuda a estabilizar os capilares.
  • Azeite de oliva
    Contém polifenóis como o hidroxitirosol, conhecidos por proteger o endotélio e reduzir marcadores inflamatórios.

De acordo com a análise publicada por Naqvi (2025), esses compostos atuam de forma complementar, potencializando seus efeitos quando combinados na alimentação.

Como esses compostos agem no organismo

O estudo descreve mecanismos importantes que ajudam a explicar esses benefícios:

  • Neutralização de radicais livres, reduzindo danos celulares
  • Aumento da biodisponibilidade de óxido nítrico, essencial para a circulação
  • Inibição de vias inflamatórias como NF-κB
  • Melhora do tônus venoso e redução do inchaço

Além disso, evidências experimentais mostram resultados relevantes. O alho pode aumentar níveis de óxido nítrico em até 30%, enquanto a cebola reduz marcadores inflamatórios e o azeite contribui para melhorar a função endotelial.

O efeito combinado que chama atenção da ciência

Um dos pontos mais interessantes é o possível efeito sinérgico. Ou seja, quando consumidos juntos dentro de uma alimentação equilibrada, esses alimentos podem:

  • Melhorar a microcirculação
  • Reduzir processos inflamatórios
  • Ajudar na elasticidade das veias

Por isso, padrões alimentares como a dieta mediterrânea vêm sendo associados à saúde vascular de forma geral.

Importante: ainda não é um tratamento definitivo

Apesar dos resultados promissores, o próprio estudo de Naqvi (2025) reforça que a maior parte das evidências ainda vem de pesquisas laboratoriais e estudos iniciais.

Ou seja, ainda são necessários:

  • Ensaios clínicos mais robustos
  • Definição de doses ideais
  • Avaliação de segurança a longo prazo

Portanto, esses alimentos devem ser vistos como complemento, e não substitutos de tratamentos médicos.

O que dá para aplicar na prática

Mesmo com limitações científicas, algumas estratégias simples já podem ser incorporadas no dia a dia:

  • Usar azeite de oliva extra virgem regularmente
  • Incluir alho cru ou levemente aquecido nas refeições
  • Consumir cebola fresca em saladas ou preparações

Essas escolhas, além de acessíveis, contribuem para uma alimentação com potencial anti-inflamatório.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn