Desequilíbrio no corpo após os 50 pode elevar risco de morte em 83%

Baixa massa muscular e gordura impactam longevidade. (Foto: Halfpoint via Canva)
Baixa massa muscular e gordura impactam longevidade. (Foto: Halfpoint via Canva)

Uma combinação silenciosa no organismo pode representar um risco muito maior do que se imaginava. De acordo com um estudo recente, a presença simultânea de gordura abdominal elevada e baixa massa muscular está associada a um aumento expressivo no risco de mortalidade.

A pesquisa, publicada na Aging Clinical and Experimental Research por Valdete Regina Guandalini (2024), analisou dados de mais de 5 mil pessoas ao longo de 12 anos. Os resultados mostram que indivíduos com essa combinação apresentaram 83% mais risco de morte em comparação com aqueles sem essas condições.

O problema por trás dessa combinação

Esse cenário está relacionado a uma condição chamada obesidade sarcopênica, caracterizada pela perda de massa muscular ao mesmo tempo em que ocorre o acúmulo de gordura corporal.

Embora muitas vezes passe despercebida, essa condição está associada a:

  • Maior fragilidade física
  • Risco aumentado de quedas
  • Redução da autonomia
  • Piora da qualidade de vida

Além disso, seus efeitos vão além do aspecto físico, impactando diretamente o metabolismo e a saúde geral.

Por que essa combinação é tão perigosa?

O estudo revelou que o risco não está apenas na presença isolada de cada fator, mas sim na interação entre eles.

Enquanto a gordura abdominal contribui para um estado de inflamação crônica, a perda de massa muscular reduz a capacidade do corpo de manter funções metabólicas essenciais.

Esse desequilíbrio gera um efeito cumulativo que pode:

  • Acelerar a degradação muscular
  • Prejudicar o metabolismo energético
  • Comprometer funções imunológicas e hormonais

Curiosamente, os dados indicam que pessoas com apenas um dos fatores não apresentaram o mesmo aumento significativo no risco, reforçando o impacto da combinação.

Como identificar o risco de forma simples

Tradicionalmente, o diagnóstico da obesidade sarcopênica depende de exames complexos e caros. No entanto, o estudo trouxe uma contribuição importante ao demonstrar que métodos simples podem ser eficazes.

Entre os principais indicadores estão:

  • Circunferência abdominal
  • Estimativas de massa muscular baseadas em dados clínicos

Os critérios utilizados incluem:

  • Cintura acima de 102 cm para homens
  • Cintura acima de 88 cm para mulheres

Essas medidas tornam o rastreamento mais acessível, facilitando a identificação precoce de pessoas em risco.

O impacto ao longo do tempo

Outro ponto relevante observado na pesquisa é que o efeito dessa combinação tende a se agravar com o envelhecimento.

Ao longo do envelhecimento, é comum haver redução da massa muscular. No entanto, quando isso se associa ao aumento de gordura abdominal, o impacto na saúde pode ser significativo.

Por isso, estratégias de prevenção tornam-se essenciais, especialmente após os 50 anos.

O que fazer na prática

Treinar pode proteger contra perda muscular e gordura. (Foto: Africa Images via Canva)
Treinar pode proteger contra perda muscular e gordura. (Foto: Africa Images via Canva)

Com base nesses resultados, algumas estratégias podem contribuir para diminuir esse risco:

  • Manter uma alimentação rica em proteínas e nutrientes
  • Manter uma rotina de exercícios, com foco em treino de força
  • Monitorar a circunferência abdominal
  • Buscar acompanhamento profissional quando necessário

Essas ações simples podem contribuir para preservar a massa muscular e evitar o acúmulo excessivo de gordura.

Um alerta importante para a saúde

O estudo publicado na Aging Clinical and Experimental Research por Valdete Regina Guandalini (2024) reforça que a saúde vai além do peso corporal isolado.

Na prática, a combinação entre músculo e gordura desempenha um papel crucial no risco de doenças e mortalidade. Assim, olhar para esses dois fatores de forma integrada pode ser fundamental para promover um envelhecimento mais saudável e com mais qualidade de vida.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-RJ:13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn