Astrônomos descobrem forma mais eficiente de encontrar exoplanetas próximos das estrelas

Novo método revela exoplanetas muito próximos de suas estrelas (Imagem: Photo Library via Canva)
Novo método revela exoplanetas muito próximos de suas estrelas (Imagem: Photo Library via Canva)

A busca por exoplanetas, mundos que orbitam estrelas fora do Sistema Solar, já revelou milhares de descobertas nas últimas décadas. No entanto, muitos desses planetas foram detectados usando técnicas que priorizam estrelas brilhantes e relativamente próximas, o que limita a diversidade de sistemas observados. Agora, um novo estudo propõe uma abordagem diferente para localizar planetas que orbitam extremamente perto de suas estrelas.

A pesquisa, publicada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, apresenta uma estratégia que utiliza padrões incomuns na atividade magnética das estrelas como indício da presença de planetas próximos. Essa técnica pode tornar as buscas significativamente mais eficientes. Entre os principais pontos do método estão:

  • Seleção de estrelas com atividade magnética anormalmente baixa;
  • Identificação de sinais de gás e poeira provenientes de planetas em evaporação;
  • Uso do método de velocidade radial para confirmar a presença dos planetas;
  • Maior eficiência em comparação com levantamentos tradicionais.

Essa combinação permite direcionar melhor as observações e aumentar a probabilidade de encontrar novos mundos.

Quando os planetas deixam rastros na estrela

Planetas que orbitam muito perto de suas estrelas enfrentam condições extremamente hostis. A intensa radiação estelar pode aquecer suas atmosferas a ponto de provocar perda gradual de gás e partículas, um processo conhecido como evaporação atmosférica.

Esse material liberado pelo planeta não desaparece imediatamente. Parte dele forma uma espécie de nuvem difusa de gás e poeira ao redor da estrela hospedeira. Mesmo sendo relativamente tênue, essa matéria pode interferir na luz emitida pela estrela.

Como consequência, certos sinais espectrais associados à atividade magnética tornam-se mais fracos. Essa alteração funciona como uma pista indireta de que a estrela pode estar sendo envolvida pelo material liberado por um planeta próximo.

Projeto DMPP revela novos mundos

A equipe responsável pelo estudo desenvolveu um programa de observação chamado Projeto Planeta de Matéria Dispersa (DMPP). Inicialmente, os pesquisadores analisaram 24 estrelas selecionadas por apresentarem atividade magnética reduzida.

Para investigar esses sistemas, foram utilizados instrumentos altamente precisos, incluindo os espectrógrafos HARPS e ESPRESSO, capazes de medir pequenas oscilações na estrela causadas pela gravidade de um planeta.

Os resultados foram promissores. O levantamento identificou sete novos exoplanetas em cinco sistemas estelares diferentes. Além disso, também permitiu atualizar informações sobre planetas já conhecidos, como massa e período orbital.

A maioria dos planetas detectados possui massa maior que a da Terra e completa uma volta ao redor da estrela em menos de dois meses, indicando órbitas extremamente próximas.

Uma galáxia possivelmente repleta de planetas próximos

Os resultados sugerem que planetas de órbita curta podem ser mais comuns do que se imaginava. Em determinados intervalos de massa e período orbital, as taxas de ocorrência estimadas pelo estudo chegam a valores surpreendentemente altos. Essas descobertas indicam que a Via Láctea pode abrigar numerosos planetas próximos de suas estrelas, muitos deles possivelmente em estágios avançados de perda atmosférica.

Com o avanço de telescópios e futuras missões espaciais capazes de detectar trânsitos planetários com maior precisão, esse método poderá ajudar a revelar ainda mais mundos ocultos. Assim, novas estratégias de observação continuam ampliando nossa compreensão sobre a enorme diversidade de planetas existentes na galáxia.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes