Sol fica totalmente sem manchas e sinaliza virada no ciclo

Sol totalmente livre de manchas registrado em fevereiro de 2026 (Imagem: Cortesia da NASA/SDO e das equipes científicas da AIA, EVE e HMI)
Sol totalmente livre de manchas registrado em fevereiro de 2026 (Imagem: Cortesia da NASA/SDO e das equipes científicas da AIA, EVE e HMI)

Depois de mais de 1.355 dias exibindo intensa atividade, o Sol voltou a apresentar um disco completamente livre de manchas solares. O registro foi feito pelo Observatório de Dinâmica Solar da NASA, revelando uma superfície aparentemente uniforme, algo que não ocorria desde junho de 2022.

A imagem pode parecer apenas um detalhe astronômico, mas, na prática, funciona como um termômetro do ciclo solar. Além disso, ajuda cientistas a entenderem os riscos de tempestades solares que impactam satélites, redes elétricas e comunicações na Terra. Para compreender a relevância do fenômeno, é importante lembrar que:

  • Manchas solares indicam regiões de intenso magnetismo;
  • Elas estão associadas a erupções solares e ejeções de massa coronal;
  • Esses eventos podem provocar tempestades geomagnéticas;
  • A atividade solar segue ciclos médios de 11 anos.

O que significa um Sol “limpo” agora?

O atual Ciclo Solar 25, o 25º desde o início dos registros sistemáticos, atingiu seu pico em 2024. Desde então, a tendência esperada é de declínio gradual da atividade. Portanto, a ausência momentânea de manchas pode sinalizar o início dessa transição.

No entanto, é cedo para conclusões definitivas. Poucos dias após o registro do disco solar sem imperfeições, observadores já detectavam o surgimento de novas regiões magneticamente ativas. Além disso, manchas podem existir em áreas não visíveis da estrela, fora do campo de visão direto dos instrumentos.

Estamos caminhando para o mínimo solar?

O chamado mínimo solar é o período de menor atividade dentro do ciclo. Entre 2018 e 2020, por exemplo, o Sol passou centenas de dias praticamente sem manchas. Ainda assim, projeções do Met Office indicam que o próximo mínimo deve ocorrer apenas por volta de 2030.

Isso significa que episódios isolados de calmaria não garantem uma desaceleração prolongada. Pelo contrário, o comportamento solar pode apresentar oscilações temporárias antes de estabilizar em níveis mais baixos.

Impactos para a Terra e para as auroras

Quando o número de manchas diminui, tende a haver menos eventos extremos capazes de gerar auroras intensas ou interferências tecnológicas. Contudo, mesmo em fases descendentes do ciclo, tempestades significativas ainda podem ocorrer.

Portanto, o Sol parece dar um breve suspiro após anos de alta atividade. Ainda assim, a dinâmica magnética da estrela é complexa e imprevisível. Portanto, monitorar continuamente sua superfície continua sendo essencial para antecipar possíveis impactos no ambiente espacial e na infraestrutura terrestre.

Leandro C. Sinis é biólogo formado pela UFRJ e divulgador científico. Com experiência em pesquisa acadêmica, é coautor de um estudo sobre neuroproteção publicado no Journal of Biological Chemistry (DOI: 10.1074/jbc.m117.807180). Sua missão no Fala Ciência é traduzir descobertas complexas em conhecimento acessível e seguro para todos. Ver perfil no LinkedIn | Ver Currículo Lattes