Novo medicamento experimental pode retardar progressão da doença de Parkinson

Ensaios clínicos nos EUA testam tratamento inovador. (Foto: Pixelshot via Canva)
Ensaios clínicos nos EUA testam tratamento inovador. (Foto: Pixelshot via Canva)

A busca por tratamentos eficazes para a doença de Parkinson avança com um novo ensaio clínico realizado nos Estados Unidos, especificamente na Escola de Medicina da UConn Health, em Connecticut. Este estudo inovador investiga um medicamento oral, o BHV-8000, desenvolvido para reduzir a inflamação e retardar a progressão da doença em pessoas com Parkinson em estágio inicial.

Entendendo o desafio do Parkinson

A doença de Parkinson é a segunda condição neurodegenerativa mais comum no mundo, afetando mais de 10 milhões de pessoas globalmente. Os sintomas clássicos incluem:

  • Movimentos involuntários nas mãos ou em outras regiões do corpo
  • Lentidão nos movimentos (bradicinesia)
  • Rigidez muscular
  • Alterações no equilíbrio e instabilidade postural

A perda de dopamina no cérebro é a principal característica da doença, que pode ser confirmada por exames especializados como o DaTscan, capaz de mostrar níveis reduzidos desse neurotransmissor.

Novo medicamento foca na inflamação

O BHV-8000 atua bloqueando mensageiros inflamatórios específicos, conhecidos como proteínas TYK2/JAK1, impedindo que sinais de inflamação se espalhem pelo cérebro. Ao controlar essa resposta inflamatória, o organismo consegue reduzir danos e manter funções neuronais, oferecendo potencial para retardar o avanço do Parkinson.

O estudo é duplo-cego e multicêntrico, o que significa que nem os participantes, nem os pesquisadores sabem quem recebe o medicamento ou placebo, garantindo rigor científico na avaliação da eficácia da pílula.

Participação em pesquisas genéticas

Além do ensaio clínico, pacientes também podem integrar o registro nacional PD GENEration, que coleta amostras de sangue para investigar predisposição genética à doença. Cerca de 10 a 15% dos casos de Parkinson têm origem genética identificável, e o registro já conta com mais de 30.000 participantes nos EUA. Os dados coletados ajudam a compreender a composição genética e contribuem para o desenvolvimento de terapias futuras.

Centro de Pesquisa Clínica da UConn

O Centro de Pesquisa Clínica (CRC) da UConn Health oferece infraestrutura e equipe especializada para conduzir ensaios clínicos de forma segura e eficiente. Isso permite que pacientes nos EUA tenham acesso a tratamentos inovadores sem precisar se deslocar para outros estados ou países, acelerando a pesquisa e traduzindo descobertas científicas em aplicações reais.

Incentivo à participação e bem-estar

Especialistas reforçam que, mesmo com novos tratamentos, hábitos de vida saudáveis são fundamentais para pacientes com Parkinson. Atividade física regular, participação em grupos de apoio, acompanhamento de especialistas e adesão a ensaios clínicos podem potencializar os resultados e melhorar a qualidade de vida.

O ensaio clínico do BHV-8000 representa uma nova fronteira no tratamento da doença de Parkinson nos EUA, com potencial de se tornar o primeiro medicamento desse tipo aprovado para atuação precoce na inflamação cerebral associada à doença.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn