As extensões de cabelo, item amplamente usado para estilo e expressão cultural, especialmente entre mulheres negras, podem conter substâncias químicas prejudiciais à saúde. Um estudo detalhado do Silent Spring Institute analisou 43 marcas populares, incluindo fibras sintéticas e cabelo humano, revelando a presença de compostos associados a câncer, desregulação hormonal e efeitos no sistema imunológico (Elissia T. Franklin et al., Environment, 2026; DOI: 10.1021/envhealth.5c00549).
A investigação destaca como produtos de beleza aparentemente inofensivos podem representar riscos significativos, principalmente pelo contato prolongado com couro cabeludo e pescoço, além da liberação de vapores durante a modelagem com calor.
Métodos avançados revelam composição química
Para mapear os riscos, os pesquisadores aplicaram análise não direcionada com cromatografia gasosa bidimensional e espectrometria de massa de alta resolução. Mais de 900 assinaturas químicas foram detectadas, das quais 169 foram identificadas e classificadas em nove categorias estruturais. Entre elas estão compostos como retardantes de chama, estireno, ftalatos, pesticidas, tetracloroetano e organoestânicos.
- Apenas duas das amostras analisadas não apresentaram produtos químicos nocivos.
- 48 compostos listados na Proposição 65 da Califórnia estão presentes, associados a câncer, defeitos congênitos ou danos reprodutivos.
- 17 substâncias químicas relacionadas ao câncer de mama foram encontradas em 36 amostras.
- Organostânicos tóxicos apareceram em quase 10% dos produtos, com níveis acima dos limites de segurança da União Europeia.
Esses dados sugerem que o uso frequente de extensões de cabelo pode levar à exposição crônica a substâncias químicas potencialmente prejudiciais.
Impacto cultural e desigualdade de risco
O estudo evidencia que mulheres negras, que usam extensões de cabelo com mais frequência, enfrentam exposição desproporcional a produtos químicos nocivos. Além de estilo e conveniência, essas extensões carregam riscos de saúde muitas vezes ignorados pela indústria, que não divulga detalhadamente os ingredientes químicos.
Regulamentação e segurança
Com o mercado global de extensões de cabelo projetado para ultrapassar 14 bilhões de dólares até 2028, cresce a pressão por regulamentações mais rigorosas. Projetos de lei em Nova York e Nova Jersey e o Pacote de Projetos de Lei de Beleza Mais Segura nos EUA buscam exigir divulgação completa de ingredientes e limitar químicos perigosos.
A análise reforça a necessidade de transparência do setor, fiscalização adequada e desenvolvimento de produtos com segurança comprovada.
Recomendações para consumidores
Enquanto políticas mais rigorosas não são implementadas:
- Prefira produtos com rotulagem clara de ingredientes.
- Evite extensões tratadas com retardantes de chama ou químicos desconhecidos.
- Reduza exposição prolongada ao couro cabeludo e use proteção térmica ao modelar.
- Fique atento a irritações cutâneas ou reações alérgicas
A conscientização sobre os riscos químicos das extensões de cabelo é fundamental para proteger a saúde sem comprometer a expressão cultural.

