Verme invasor se espalha rapidamente ao grudar no pelo de cães e gatos, revela estudo

Caenoplana variegata - Muco pegajoso ajuda verme a viajar com pets. (Foto: Jean-Lou Justine via PeerJ)
Caenoplana variegata - Muco pegajoso ajuda verme a viajar com pets. (Foto: Jean-Lou Justine via PeerJ)

Um verme invasor pouco conhecido está encontrando uma forma eficiente e silenciosa de se espalhar entre jardins e áreas urbanas: grudando no pelo de cães e gatos. A descoberta ajuda a explicar por que essa espécie aparece em locais distantes, mesmo sendo extremamente lenta para se locomover.

O organismo em questão é a planária terrestre Caenoplana variegata, um verme achatado originário de outras regiões do mundo e hoje considerado uma espécie invasora em vários países. A identificação desse novo caminho de dispersão foi detalhada em um estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista científica PeerJ, assinado pelo pesquisador Jean-Lou Justine.

Um mistério sobre como o verme se espalha

Planárias terrestres normalmente se expandem com a movimentação de plantas, solo e materiais de jardinagem. No entanto, essa explicação não resolvia um ponto central: como um verme que se move apenas alguns centímetros por dia consegue surgir em jardins próximos que não receberam plantas novas.

A resposta começou a surgir após a análise de mais de 12 anos de registros de ciência cidadã, reunindo observações feitas por moradores de diferentes regiões. Esses dados revelaram algo inesperado: em vários casos, os vermes foram encontrados aderidos à pelagem de animais domésticos.

Por que cães e gatos facilitam a dispersão

A Caenoplana variegata produz um muco extremamente pegajoso, que permite ao corpo do verme aderir facilmente ao pelo de cães e gatos quando eles passam por jardins ou áreas infestadas. Uma vez preso, o animal pode ser transportado por quilômetros, alcançando novos locais sem ser percebido.

Além disso, essa espécie apresenta uma característica que amplia ainda mais o problema: ela consegue se reproduzir sozinha, sem necessidade de um parceiro. Isso significa que um único indivíduo transportado já é suficiente para iniciar uma nova infestação.

Um risco silencioso para o ambiente

Embora não represente perigo direto para humanos ou animais de estimação, esse verme invasor pode causar desequilíbrios ecológicos, especialmente por ser predador de pequenos invertebrados do solo. Com o auxílio involuntário de cães e gatos, sua disseminação pode ocorrer de forma muito mais rápida do que se imaginava.

O estudo reforça que a expansão de espécies invasoras nem sempre depende apenas de grandes ações humanas, como o comércio internacional. Atividades cotidianas, como passear com animais de estimação, também podem desempenhar um papel decisivo nesse processo.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn