OMS alerta para nova cepa de mpox e reforça monitoramento mundial

Recombinação genética dá origem a nova variante de mpox. (Foto: Getty Images via Canva)
Recombinação genética dá origem a nova variante de mpox. (Foto: Getty Images via Canva)

O surgimento de uma nova variante do vírus mpox trouxe novamente o tema para o centro da vigilância sanitária internacional. A identificação recente de dois casos associados a uma cepa recombinante reforça a importância do monitoramento contínuo de vírus que permanecem em circulação global, mesmo fora de cenários de surto intenso.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a nova variante foi detectada em dois indivíduos localizados em países distintos, o que sugere que o vírus pode estar circulando de forma silenciosa em outras regiões ainda não identificadas.

O que significa uma variante recombinante?

A nova cepa de mpox identificada apresenta uma característica genética específica: ela resulta da recombinação entre dois clados já conhecidos do vírus, chamados clado Ib e clado IIb. A recombinação é um fenômeno biológico natural que ocorre quando dois vírus geneticamente semelhantes infectam a mesma pessoa ao mesmo tempo e trocam fragmentos de material genético.

Esse processo pode gerar variantes com características novas, embora isso não signifique automaticamente maior gravidade ou transmissibilidade. Até o momento, o número reduzido de casos não permite concluir se a nova cepa provoca quadros clínicos diferentes ou se se espalha com mais facilidade.

Casos identificados e o que eles indicam

Os dois casos confirmados apresentaram um ponto em comum: histórico recente de viagem internacional. Um deles foi identificado no final de 2025 no Reino Unido, enquanto o outro desenvolveu sintomas meses antes após deslocamento por regiões do Oriente Médio.

A análise genômica detalhada mostrou que ambos os pacientes foram infectados pela mesma cepa recombinante, apesar do intervalo de semanas entre os episódios. Esse achado sugere que a variante pode não ser um evento isolado, mas parte de uma circulação mais ampla ainda não completamente detectada.

Importante destacar que, após o rastreamento de contatos, nenhuma transmissão secundária foi identificada, o que indica ausência de disseminação sustentada até o momento.

Avaliação de risco e grupos mais expostos

A avaliação atual aponta que o risco global permanece estável. Ele continua sendo considerado baixo para a população em geral sem fatores de risco específicos. Em contrapartida, segue classificado como moderado em grupos com maior exposição, especialmente pessoas com múltiplos parceiros sexuais e indivíduos que mantêm contato físico próximo frequente.

Esse padrão reforça que a dinâmica de transmissão do mpox permanece semelhante à observada nos últimos anos, sem indícios claros de mudança associada à nova variante.

Vacinação e monitoramento permanecem no centro da resposta

As estratégias de imunização atualmente disponíveis contra a mpox, baseadas em tecnologias originalmente desenvolvidas para a varíola humana, seguem apresentando boa efetividade. Essas vacinas continuam sendo indicadas, sobretudo, para grupos prioritários e pessoas com maior probabilidade de exposição ao vírus.

Com a identificação de uma nova variante, as orientações das autoridades de saúde permanecem focadas em ações preventivas bem definidas, entre elas:

  • Fortalecimento da vigilância epidemiológica
  • Ampliação do sequenciamento genético do vírus
  • Imunização direcionada a populações mais vulneráveis
  • Implementação rigorosa de medidas de prevenção e controle de infecções

O surgimento de uma cepa recombinante, por si só, não sinaliza a ocorrência de um novo surto em larga escala, mas evidencia que o vírus continua passando por transformações genéticas. Nesse contexto, a detecção precoce de casos e o acompanhamento sistemático permanecem como os instrumentos mais eficazes para reduzir riscos e preservar a saúde coletiva.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) graduada pela UNIG. Une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica para traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano. Como responsável técnica pelo Fala Ciência, dedica-se a combater a desinformação com rigor técnico e embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn