Alerta da Anvisa expõe riscos graves associados às canetas emagrecedoras

Anvisa alerta para risco de pancreatite com canetas GLP-1. (Foto: Getty Images via Canva)
Anvisa alerta para risco de pancreatite com canetas GLP-1. (Foto: Getty Images via Canva)

O avanço no uso das chamadas canetas emagrecedoras levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária a emitir um alerta sanitário que reacende o debate sobre segurança, prescrição responsável e riscos pouco discutidos. Embora amplamente divulgados por seus efeitos na perda de peso, esses medicamentos carregam reações adversas potencialmente graves, especialmente quando utilizados fora das indicações aprovadas.

O alerta da Anvisa destaca a associação entre o uso inadequado de agonistas do GLP-1 e o desenvolvimento de pancreatite aguda, uma inflamação do pâncreas que pode evoluir rapidamente e exigir hospitalização. A reação já é conhecida e descrita em bula, mas o crescimento no número de notificações recentes acendeu um sinal vermelho para a vigilância sanitária.

O que são as canetas emagrecedoras e por que exigem cuidado

Medicamentos como semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida atuam mimetizando o hormônio GLP-1, responsável por regular a saciedade, o esvaziamento gástrico e o controle da glicose. Esses efeitos explicam tanto a eficácia terapêutica quanto os eventuais impactos no sistema digestivo, incluindo o pâncreas.

A Anvisa reforça que esses fármacos devem ser utilizados exclusivamente nas indicações aprovadas, sempre com acompanhamento médico rigoroso. Um ponto crítico do alerta é a inexistência de versões genéricas, manipuladas ou similares legais, já que as patentes seguem vigentes, o que aumenta o risco associado a usos paralelos.

Crescimento das notificações preocupa autoridades

Dados de farmacovigilância mostram que o número de suspeitas de pancreatite associadas a esses medicamentos vem crescendo ano após ano, com recorde recente de notificações. Embora os casos sejam tratados como suspeitos, a tendência de aumento motivou a intensificação das ações regulatórias no país.

Como resposta, a Anvisa determinou a retenção obrigatória da receita médica nas farmácias, com validade limitada e maior controle da dispensação. A medida busca conter o uso indiscriminado e melhorar o rastreamento de possíveis eventos adversos.

Sintomas exigem atenção imediata

O alerta orienta que pacientes em uso de agonistas de GLP-1 procurem atendimento médico ao apresentar sinais compatíveis com pancreatite, como:

  • Dor abdominal intensa e persistente
  • Irradiação da dor para as costas
  • Náuseas e vômitos frequentes
  • Piora progressiva do mal-estar abdominal

Nesses casos, a recomendação é interromper o tratamento imediatamente até avaliação médica. Se o diagnóstico for confirmado, o uso não deve ser retomado.

Histórico recente de alertas regulatórios

Este não é um episódio isolado. Nos últimos anos, a Anvisa já havia emitido comunicados sobre riscos anestésicos, além de eventos raros envolvendo a perda de visão associada a medicamentos da mesma classe. Esses alertas reforçam a necessidade de vigilância contínua à medida que o uso dessas terapias se expande.

Informação e prescrição responsável salvam vidas

O alerta da Anvisa não invalida os benefícios clínicos dos agonistas de GLP-1, mas deixa claro que o uso sem critério transforma inovação terapêutica em risco evitável. A segurança desses medicamentos depende, acima de tudo, de prescrição adequada, acompanhamento médico e notificação de eventos adversos.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) e une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica. Com rigor técnico e olhar atento, dedica-se a traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano, combatendo a desinformação com embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn