As cápsulas de ômega 3 se tornaram presença constante em farmácias e nas redes sociais, associadas à promessa de um coração mais forte, articulações protegidas e até melhora do humor.
No entanto, evidências científicas recentes indicam que os efeitos desse suplemento são mais complexos do que a propaganda sugere. Um novo estudo ajuda a separar o benefício real de expectativa exagerada.
Uma gordura essencial, mas não universal
O ômega 3 pertence ao grupo das gorduras essenciais, aquelas que o corpo humano não consegue produzir sozinho. Ele participa de funções importantes, como a modulação da inflamação, o funcionamento do cérebro e a saúde dos vasos sanguíneos. Ainda assim, isso não significa que todas as pessoas precisem suplementar.
A família do ômega 3 inclui três formas principais: DHA, EPA e ALA. Enquanto DHA e EPA são encontrados sobretudo em peixes de águas frias, o ALA é de origem vegetal, presente em sementes e oleaginosas. O problema é que a conversão do ALA em DHA e EPA é limitada, o que explica por que nem todas as fontes produzem os mesmos efeitos no organismo.
Quem realmente se beneficia do ômega 3?
Em janeiro de 2026, uma revisão sistemática com meta-análise publicada avaliou dados de múltiplos ensaios clínicos sobre suplementação de ômega 3 e saúde vascular. O trabalho, liderado por Norouzzadeh, analisou marcadores como função endotelial, rigidez arterial e parâmetros inflamatórios. O estudo “Omega-3 Fatty Acid Supplementation and Vascular Health Biomarkers” (DOI: 10.1080/27697061.2025.2606059) trouxe conclusões relevantes.
Os resultados mostraram que EPA e DHA podem melhorar alguns marcadores vasculares, especialmente em pessoas com fatores de risco cardiovascular. Por outro lado, os efeitos foram modestos ou inexistentes em indivíduos saudáveis, sem deficiência nutricional ou doenças prévias.
Quando a suplementação faz sentido?
A análise reforça que suplementar ômega 3 não deve ser uma decisão automática. Os maiores benefícios aparecem em grupos específicos, como:
- Pessoas com baixa ingestão de peixe
- Indivíduos com risco cardiovascular elevado
- Gestantes, quando há indicação clínica
- Pacientes com alterações inflamatórias documentadas
Mesmo nesses casos, a resposta pode variar de acordo com genética, dose e duração do uso.
Excesso também traz riscos
Embora seja geralmente seguro, o consumo elevado e prolongado de ômega 3 pode interferir na coagulação sanguínea, aumentar o risco de sangramentos e provocar efeitos gastrointestinais. Além disso, a revisão aponta que a suplementação indiscriminada não mostrou proteção consistente contra infarto ou AVC em populações saudáveis.
Isso reforça um ponto central da ciência nutricional moderna: mais nem sempre é melhor, especialmente quando se trata de suplementos.
Alimentação continua sendo o melhor caminho
As evidências atuais indicam que o consumo regular de alimentos ricos em ômega 3, como peixes, sementes e oleaginosas, continua sendo a estratégia mais segura e eficaz para a maioria das pessoas. A suplementação deve ser considerada apenas após avaliação individual, levando em conta hábitos alimentares e histórico de saúde.
No fim, o ômega 3 segue sendo um nutriente importante, mas não é uma solução universal. A ciência mais recente deixa claro que personalização e cautela fazem toda a diferença.

