Baixa vacinação mantém Covid como ameaça silenciosa no Brasil

Covid ainda causa óbitos apesar da queda de casos. (Foto: Getty Images via Canva)
Covid ainda causa óbitos apesar da queda de casos. (Foto: Getty Images via Canva)

Com a rotina aparentemente normalizada, muitas pessoas deixaram de associar sintomas respiratórios à Covid-19. Máscaras desapareceram, a testagem diminuiu e o tema saiu do centro das conversas. Ainda assim, o vírus continua circulando e provocando mortes no país. O que mudou não foi o risco, mas a percepção coletiva sobre ele.

Covid ainda lidera mortes entre vírus respiratórios

No início de 2026, a Covid-19 voltou a aparecer como o vírus respiratório mais letal entre os casos confirmados no Brasil. Mesmo sem grandes ondas, 29 mortes foram registradas apenas no mês de janeiro, superando influenza, rinovírus e outros agentes respiratórios.

Esse cenário indica que o coronavírus segue atuando de forma menos visível, porém clinicamente relevante.

Idosos continuam sendo o principal grupo de risco

A maioria dos óbitos ocorreu entre pessoas com 65 anos ou mais, grupo que mantém maior vulnerabilidade a infecções respiratórias. O envelhecimento do sistema imunológico, somado à presença de doenças crônicas, aumenta o risco de evolução rápida para quadros graves.

Mesmo infecções que começam de forma leve podem terminar em hospitalização, insuficiência respiratória ou óbito nessa faixa etária.

Subdiagnóstico esconde o impacto real da doença

Um fator que dificulta a leitura do cenário atual é o alto número de casos graves sem identificação do vírus causador. Grande parte das síndromes respiratórias agudas graves registradas no período não teve confirmação laboratorial.

Esse apagão diagnóstico pode ocultar a real participação da Covid-19 nas mortes, atrasando respostas de saúde pública.

Vacinação abaixo do ideal mantém o vírus em circulação

Desde 2024, a vacina contra a Covid-19 integra o calendário básico para crianças, idosos e gestantes, além de reforços periódicos para grupos especiais. Ainda assim, a cobertura vacinal segue muito abaixo do necessário.

Em 2025, menos de 40% das doses distribuídas foram aplicadas. Essa falha compromete a proteção coletiva, facilita novas infecções e aumenta o risco de formas graves evitáveis.

Casos graves seguem ocorrendo silenciosamente

Dados de vigilância epidemiológica mostram que milhares de brasileiros ainda desenvolvem Covid grave, com necessidade de internação hospitalar. Mesmo sem picos explosivos, o impacto contínuo mantém pressão sobre o sistema de saúde.

A redução da gravidade média não elimina o risco individual, especialmente entre idosos e imunossuprimidos.

Por que a Covid se tornou uma ameaça silenciosa?

O cenário atual combina fatores preocupantes:

  • Menor testagem, dificultando o diagnóstico
  • Baixa adesão à vacinação, especialmente entre idosos
  • Percepção reduzida de risco, que atrasa a busca por atendimento

Juntos, esses elementos permitem que o vírus continue causando danos fora dos holofotes.

O que os dados deixam claro

A Covid-19 pode ter saído das manchetes, mas não deixou de matar. Manter a vacinação em dia, reconhecer sinais de alerta e fortalecer a vigilância continuam sendo estratégias centrais para evitar mortes evitáveis.

Ignorar o vírus não o torna menos perigoso.

Rafaela Lucena é farmacêutica (CRF-13912) e une sua formação em saúde à paixão pela divulgação científica. Com rigor técnico e olhar atento, dedica-se a traduzir estudos clínicos e farmacológicos para o cotidiano, combatendo a desinformação com embasamento científico de qualidade. Ver perfil no LinkedIn