Misturar álcool com remédios comuns pode ser perigoso no Carnaval

Mesmo doses pequenas de álcool com medicamentos são perigosas. (Foto: Octavian Grigorescu's Images via Canva)
Mesmo doses pequenas de álcool com medicamentos são perigosas. (Foto: Octavian Grigorescu's Images via Canva)

Durante o Carnaval, o consumo de bebidas alcoólicas tende a aumentar, enquanto o uso de medicamentos comuns como analgésicos, anti-inflamatórios, antialérgicos e ansiolíticos continua fazendo parte da rotina de muitas pessoas. No entanto, o que parece inofensivo pode se transformar em um problema sério de saúde. Misturar álcool com remédios é uma combinação potencialmente perigosa, mesmo quando os medicamentos são vendidos sem receita.

Segundo evidências científicas, o álcool pode alterar a forma como o organismo absorve, metaboliza e elimina medicamentos, amplificando efeitos colaterais ou reduzindo a eficácia do tratamento. Em alguns casos, essa interação pode levar a complicações graves, inclusive hospitalizações.

Como o álcool interfere no efeito dos medicamentos

O fígado é o principal órgão responsável por metabolizar tanto o álcool quanto muitos fármacos. Quando os dois são consumidos juntos, ocorre uma competição metabólica, que pode sobrecarregar o organismo. Como resultado, o medicamento pode permanecer ativo por mais tempo no sangue ou, ao contrário, perder seu efeito terapêutico.

Além disso, o álcool pode potencializar ações no sistema nervoso central, aumentando riscos como:

  • Sonolência excessiva
  • Confusão mental
  • Diminuição dos reflexos
  • Quedas e acidentes

Esses efeitos são particularmente perigosos em ambientes de grande aglomeração, como blocos de rua e festas.

Medicamentos comuns que oferecem maior risco

Diversas classes de remédios frequentemente usados no dia a dia podem interagir negativamente com o álcool. Entre os principais estão:

  • Analgésicos e antitérmicos, como o paracetamol, que podem aumentar o risco de lesão hepática
  • Anti-inflamatórios não esteroides, associados a sangramentos gastrointestinais
  • Antialérgicos e remédios para gripe, que intensificam a sedação
  • Ansiolíticos, antidepressivos e sedativos, com risco de depressão respiratória
  • Medicamentos para pressão arterial, que podem causar quedas bruscas da pressão

Essas interações não dependem apenas da quantidade de álcool ingerida. Mesmo doses moderadas podem gerar efeitos adversos relevantes.

Evidência científica sobre o risco da combinação

Uma revisão científica amplamente utilizada na prática clínica destaca que interações entre álcool e medicamentos são mais comuns e perigosas do que se imagina, especialmente em adultos jovens durante eventos festivos e em pessoas que utilizam múltiplos medicamentos.

O material científico “Alcohol-Medication Interactions: Potentially Dangerous Mixes”, publicado pelo National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism, descreve como essas combinações podem provocar danos ao fígado, sangramentos, alterações neurológicas e problemas cardiovasculares, além de aumentar significativamente o risco de acidentes.

Carnaval exige atenção redobrada

Durante o Carnaval, fatores como desidratação, longos períodos sem alimentação adequada e exposição ao calor podem intensificar ainda mais os efeitos negativos da mistura entre álcool e medicamentos. O resultado é um risco maior de mal-estar súbito, desmaios e complicações clínicas inesperadas.

A falsa sensação de segurança ao usar remédios “simples” é um dos principais problemas. Mesmo medicamentos considerados rotineiros podem se tornar perigosos quando combinados com álcool.

Como se proteger

Algumas medidas simples podem reduzir os riscos:

  • Evitar o consumo de álcool ao usar medicamentos
  • Ler atentamente a bula, especialmente a seção de interações
  • Não se automedicar durante períodos de consumo alcoólico
  • Em caso de dúvida, optar por não beber

Prevenção e informação são essenciais para aproveitar o Carnaval com mais segurança.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.