O ritmo intenso de estudos e trabalho em jovens adultos está gerando preocupação crescente entre profissionais de saúde. Um estudo recente publicado no BMC Psychology (2024), “The impact of alexithymia, anxiety, social pressure, and academic burnout on depression in Chinese university students: an analysis based on SEM” (DOI: 10.1186/s40359-024-02262-y), investigou como a pressão por desempenho e o burnout acadêmico influenciam a saúde mental, revelando dados alarmantes sobre o impacto do estresse prolongado.
Pressão constante e risco de adoecimento
A pesquisa analisou estudantes universitários e identificou que altos níveis de pressão acadêmica e expectativa de desempenho estão fortemente associados a sintomas de ansiedade e depressão. Os resultados mostraram que:
- Ansiedade atua como mediadora: a pressão percebida por desempenho aumenta a ansiedade, que por sua vez eleva o risco de depressão;
- Burnout acadêmico é um fator-chave: fadiga emocional, exaustão e sobrecarga prolongada contribuem diretamente para sofrimento psicológico;
- Dificuldade em reconhecer emoções: características individuais relacionadas à percepção e expressão de sentimentos, conhecidas como alexithymia, agravam os efeitos da pressão sobre a saúde mental.
Esses achados destacam que não é apenas o excesso de tarefas que prejudica o bem-estar, mas também como o indivíduo reage ao estresse e à cobrança constante. O estudo reforça a importância de estratégias que promovam equilíbrio entre estudo, trabalho e autocuidado para reduzir riscos de adoecimento psicológico.
Fatores que aumentam a vulnerabilidade
Além da pressão externa, a pesquisa identificou fatores internos que tornam os jovens mais vulneráveis ao estresse:
- Expectativas irreais de sucesso pessoal e acadêmico;
- Perfeccionismo e dificuldade em lidar com fracassos;
- Falta de pausas adequadas para descanso e lazer;
- Exposição prolongada a ambientes competitivos sem suporte emocional.
A combinação desses elementos cria um terreno fértil para o desenvolvimento de sintomas depressivos, ansiedade persistente e fadiga emocional, especialmente em jovens adultos que estão em transição para a vida profissional ou enfrentando altas demandas acadêmicas.
Prevenção e cuidados
O estudo indica que a prevenção deve ser multifacetada, envolvendo tanto mudanças comportamentais quanto apoio institucional:
- Incentivar pausas e períodos de descanso durante a rotina acadêmica e profissional;
- Desenvolver habilidades de reconhecimento emocional e autoconsciência para reduzir efeitos da ansiedade;
- Promover suporte psicológico precoce, incluindo programas de aconselhamento e terapia preventiva;
- Estimular atividades que promovam bem-estar físico e emocional, como exercício regular, sono adequado e momentos de lazer.
Essas medidas ajudam a reduzir a sobrecarga mental e fortalecem a resiliência emocional, prevenindo que a busca por desempenho constante se transforme em um problema de saúde.
O estudo do BMC Psychology (2024) reforça que o estresse ligado à alta pressão por desempenho e burnout acadêmico é um risco real à saúde mental de jovens adultos.
Compreender os mecanismos que ligam pressão, ansiedade e depressão é essencial para desenvolver estratégias preventivas e apoiar o equilíbrio emocional. Cultivar hábitos de autocuidado, reduzir a sobrecarga e buscar ajuda profissional são passos essenciais para preservar a saúde mental ao longo da vida adulta.

