A bronquiolite continua sendo uma das principais causas de internação de bebês no Brasil, especialmente nos primeiros meses de vida. Durante os períodos de maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), hospitais registram aumento de internações e de casos que exigem cuidados intensivos. Nesse cenário, a incorporação do nirsevimabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) representa um avanço importante na prevenção das formas mais graves da doença.
A medida integra a estratégia do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e tem como foco inicial a proteção dos bebês mais vulneráveis às complicações do VSR.
O que é o nirsevimabe e como ele protege os bebês
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal desenvolvido para oferecer proteção imediata contra o VSR. Diferentemente das vacinas tradicionais, ele não estimula o organismo a produzir anticorpos, mas fornece anticorpos prontos, capazes de neutralizar o vírus durante o período de maior risco.
Essa característica é especialmente relevante nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico do bebê ainda é imaturo e a infecção pelo VSR pode evoluir rapidamente para quadros graves.
Estudo robusto confirma redução de casos graves
A eficácia do nirsevimabe na prevenção de hospitalizações relacionadas ao VSR foi demonstrada em um estudo observacional de grande escala, publicado em março de 2025 na revista científica NEJM Evidence. O estudo, intitulado “Efficacy of Nirsevimab in Preventing RSV-Related Hospitalization in Infants”, teve como autora principal Marie Joelle Jabagi e foi publicado eletronicamente em 25 de fevereiro de 2025 (DOI: 10.1056/EVIDoa2400275).
A pesquisa analisou dados de 82.474 bebês, comparando crianças que receberam o nirsevimabe com aquelas que não receberam o imunizante. Os resultados mostraram reduções expressivas nos desfechos mais graves associados ao VSR, incluindo:
- 65% menos hospitalizações relacionadas ao VSR
- 74% menos internações em UTI pediátrica
- 66% menos hospitalizações com necessidade de oxigênio ou ventilação
Esses achados indicam que uma única dose do nirsevimabe está associada a uma proteção significativa contra as formas graves da bronquiolite, especialmente durante a primeira temporada de circulação do vírus.
Por que a bronquiolite ainda é um grande desafio?
Mesmo bebês saudáveis e nascidos a termo podem evoluir para quadros graves de bronquiolite. A doença pode exigir:
- Internação hospitalar prolongada
- Suporte respiratório
- Tratamento em UTI pediátrica
Além do impacto clínico, a bronquiolite gera sofrimento para as famílias, afastamento do trabalho e sobrecarga do sistema de saúde, principalmente durante os meses de sazonalidade do VSR.
Quem será atendido pelo SUS nesta fase?
Nesta primeira etapa, o SUS prioriza bebês com maior risco de complicações, como:
- Prematuros
- Crianças com comorbidades
- Bebês enquadrados nos critérios definidos pelo protocolo nacional
Essa estratégia busca proteger quem mais precisa e, ao mesmo tempo, permitir o acompanhamento dos resultados da política pública ao longo do tempo.
Benefícios do tratamento
A redução das hospitalizações por bronquiolite traz impactos positivos amplos:
- Menor pressão sobre leitos hospitalares
- Redução da demanda por UTIs pediátricas
- Uso mais eficiente dos recursos do SUS
- Menos sofrimento para bebês e familiares
Um passo decisivo na prevenção infantil
Com base em evidências científicas robustas, a incorporação do nirsevimabe no SUS marca um novo capítulo na prevenção da bronquiolite no Brasil.
A expectativa é que a estratégia contribua para reduzir casos graves, internações e complicações associadas ao VSR, fortalecendo a proteção da saúde infantil desde os primeiros meses de vida.

