O diabetes tipo 2 é conhecido por aumentar o risco de infarto, AVC e outros problemas do coração. Mas novas evidências indicam que esse risco não é igual para homens e mulheres.
Um estudo publicado na revista Diabetes Care analisou dados do grande ensaio clínico Look AHEAD e investigou como os hormônios sexuais podem influenciar a saúde cardiovascular em pessoas com diabetes tipo 2 ao longo do tempo.
Por que o risco não é igual?
Pesquisas anteriores já mostravam que mulheres com diabetes tipo 2 podem ter um risco proporcionalmente maior de doenças cardiovasculares do que homens — mesmo quando fatores como colesterol, pressão alta e tabagismo são semelhantes.
Isso levantou uma pergunta importante: será que os hormônios têm papel nessa diferença?
O que os pesquisadores fizeram
O estudo acompanhou adultos com diabetes tipo 2 por vários anos. Os cientistas analisaram:
- Amostras de sangue coletadas no início da pesquisa
- Mudanças nos níveis hormonais após um ano
- O surgimento de complicações cardiovasculares ao longo do acompanhamento
O objetivo era entender se alterações hormonais poderiam ajudar a prever o risco de problemas no coração.
O que foi descoberto nos homens
Entre os homens, os resultados mostraram um padrão interessante:
- Aqueles que tinham níveis mais altos de testosterona no início do estudo apresentaram menor risco de eventos cardiovasculares no futuro.
- Já o aumento do hormônio estradiol ao longo do tempo esteve associado a maior risco de complicações cardíacas.
Em termos simples, o equilíbrio hormonal masculino parece ter influência sobre a saúde do coração em quem tem diabetes tipo 2.
E nas mulheres?
Entre as mulheres com diabetes tipo 2, os pesquisadores não encontraram uma relação clara entre os hormônios analisados e o risco cardiovascular.
Isso não significa que os hormônios não sejam importantes para a saúde feminina. Significa apenas que, neste estudo específico, eles não se mostraram determinantes para prever problemas cardíacos. Outros fatores, como inflamação, alterações metabólicas e funcionamento dos vasos sanguíneos, podem ter papel mais relevante nesse grupo.
O que isso significa na prática?
Os dados mostram que o risco cardíaco no diabetes tipo 2 não se explica somente pelos elementos clássicos:
- Níveis de açúcar no sangue
- Colesterol
- Pressão arterial
O perfil biológico individual, incluindo hormônios, também pode influenciar a evolução da doença, especialmente nos homens.
Por que isso é importante?
Entender que homens e mulheres podem responder de maneira diferente ao diabetes ajuda médicos e pesquisadores a pensar em estratégias mais personalizadas de prevenção e tratamento.
Além disso, o estudo abre caminho para novas investigações sobre:
- Como hormônios interagem com o metabolismo
- O impacto da perda de peso na saúde hormonal
- Como o envelhecimento influencia o risco cardiovascular
Compreender essas diferenças pode ser um passo importante para reduzir complicações cardíacas em pessoas com diabetes tipo 2 no futuro.

