No final de 2025, o Lago Lipno, localizado na região da Boêmia, na República Tcheca, apresentou um fenômeno raro e visualmente impressionante: grandes áreas do gelo tornaram-se verde. Essa transformação chamou a atenção de pesquisadores do Centro de Biologia da Academia Tcheca de Ciências, que analisaram amostras de água e registraram detalhadamente o evento, que representa um dos casos mais bem documentados de cianobactérias sob gelo no mundo.
O evento reforça que mudanças ambientais e eutrofização podem provocar alterações ecológicas mesmo fora da temporada tradicional de verão, quando a proliferação de cianobactérias é mais esperada. Principais fatores observados no fenômeno:
- Excesso de nutrientes na água, especialmente fósforo, associado a atividades humanas;
- Persistência das cianobactérias Woronichinia naegeliana, comuns no Lago Lipno;
- Condições climáticas atípicas: ventos fracos, insolação prolongada e clima calmo;
- Formação de “olhos de cianobactérias”: áreas transparentes sobre agregados escuros sob o gelo.
Resistência das cianobactérias cria fenômenos únicos no gelo

Enquanto em outros lagos as florações desaparecem até o final de setembro, no Lago Lipno, a biomassa de cianobactérias permanece ativa até dezembro e janeiro. O gelo verde se torna mais evidente em períodos de aquecimento temporário, e a fotossíntese continua sob a camada de gelo, confirmando que essas espécies podem se adaptar a condições extremas.
O fenômeno não apenas revela a capacidade de resiliência das cianobactérias, mas também evidencia como o aquecimento climático e a eutrofização persistente podem gerar surpresas ecológicas, mesmo no inverno rigoroso.
A documentação detalhada no Lago Lipno contribui para o registro global de cianobactérias sob gelo, mostrando que espécies comuns podem exibir comportamento atípico em condições específicas.
Além disso, o fenômeno sugere que eventos semelhantes podem se tornar mais frequentes devido às mudanças climáticas e serve como alerta para a necessidade de monitoramento contínuo de lagos eutrofizados. O estudo, revisado e publicado com rigor científico, incluiu análises microscópicas das amostras coletadas e destaca a importância de compreender como os organismos aquáticos respondem a alterações ambientais.

