Por muito tempo, a ciência acreditou que o parasita Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose, ficava completamente inativo no cérebro após a infecção inicial. Um novo estudo, porém, mostra que isso não é totalmente verdade.
A pesquisa, publicada em 2026 na revista Nature Communications, indica que o parasita pode continuar ativo no cérebro por muitos anos, mesmo quando a pessoa não apresenta sintomas.
O que é o Toxoplasma gondii?
O Toxoplasma gondii é um parasita bastante comum. Estima-se que cerca de um terço da população mundial já tenha entrado em contato com ele. A infecção geralmente acontece por meio de alimentos mal cozidos, água contaminada ou contato com fezes de gatos.
Na maioria dos casos, o sistema imunológico controla o parasita, e a pessoa segue a vida sem perceber que foi infectada.
O parasita não “dorme” completamente
Durante a fase crônica da infecção, o Toxoplasma se transforma em uma forma chamada bradizoíto, considerada até então inativa. O novo estudo mostrou que isso é uma simplificação excessiva.
Os pesquisadores descobriram que existem diferentes tipos de bradizoítos. Alguns permanecem mais quietos, enquanto outros continuam metabolicamente ativos, mesmo dentro do cérebro.
Importância da descoberta
Essa atividade prolongada pode ajudar a explicar por que a toxoplasmose já foi associada, em estudos anteriores, a alterações neurológicas sutis, principalmente em pessoas com o sistema imunológico mais frágil.
Os cientistas reforçam que isso não significa que todas as pessoas infectadas terão problemas cerebrais, mas indica que o parasita é mais dinâmico do que se imaginava.
Como o estudo foi feito
A equipe, liderada por Arzu Ulu e Emma H. Wilson, analisou o comportamento do parasita em modelos experimentais e observou que ele consegue se adaptar ao ambiente cerebral ao longo do tempo, alternando entre estados mais silenciosos e mais ativos.
O trabalho foi publicado com o título Subtypes of bradyzoites dominate the developmental crossroads of Toxoplasma e recebeu o DOI 10.1038/s41467-026-68489-y.
O que muda a partir desse estudo?
Ao mostrar que o parasita não fica totalmente inativo, o estudo abre caminho para:
- novas estratégias de tratamento
- pesquisas sobre impactos a longo prazo no cérebro
- medicamentos mais específicos para a fase crônica da toxoplasmose
Os pesquisadores destacam que ainda são necessários mais estudos para entender como essa atividade afeta a saúde humana ao longo dos anos.

