Consumo diário de mirtilos pode beneficiar coração e intestino

Mirtilos diários favorecem a saúde do coração. (Foto: Pexels via Canva)
Mirtilos diários favorecem a saúde do coração. (Foto: Pexels via Canva)

Pequenos no tamanho, mas potentes nos efeitos, os mirtilos silvestres vêm ganhando destaque na ciência da nutrição. Uma nova revisão científica indica que o consumo regular dessa fruta pode trazer benefícios significativos para a saúde do coração, do intestino e até do cérebro, com efeitos que podem surgir em poucas horas ou se intensificar ao longo do tempo.

A análise foi publicada em janeiro de 2026 na revista Critical Reviews in Food Science and Nutrition, sob o título “Mirtilos silvestres e saúde cardiometabólica: uma revisão atual das evidências”, liderada por Sarah A. Johnson (DOI: 10.1080/10408398.2025.2610406). O trabalho reuniu décadas de pesquisas clínicas e mecanísticas para avaliar o impacto dessa fruta na saúde humana.

Evidências consistentes para a função dos vasos sanguíneos

Entre os diversos desfechos analisados, a função vascular foi o benefício mais consistente observado nos estudos clínicos. Ensaios realizados ao longo de 24 anos mostraram que os mirtilos silvestres ajudam a melhorar a capacidade dos vasos sanguíneos de se dilatar e responder a estímulos, um fator essencial para a circulação adequada.

Alguns estudos apontaram mudanças mensuráveis poucas horas após o consumo de uma única porção. Outros observaram benefícios mais robustos após semanas ou meses de ingestão regular, sugerindo efeitos tanto agudos quanto cumulativos.

O papel estratégico do intestino nos benefícios metabólicos

Outro destaque da revisão foi a relação entre os mirtilos silvestres e o microbioma intestinal. A fruta é rica em fibras e polifenóis, compostos que chegam quase intactos ao cólon, onde são metabolizados pelas bactérias intestinais.

Esse processo gera metabólitos bioativos que entram na circulação e podem representar até 40% dos compostos ativos detectados no sangue após o consumo de alimentos ricos em polifenóis. 

Um estudo clínico de seis semanas mostrou aumento de espécies benéficas de Bifidobacterium, sugerindo um possível mecanismo para os efeitos cardiometabólicos observados.

Impactos além do coração

Além da saúde cardiovascular, a revisão também analisou desfechos relacionados ao desempenho cognitivo. Estudos em adultos mais velhos indicaram melhorias em memória e velocidade de raciocínio, possivelmente associadas à melhor circulação sanguínea e à redução de processos inflamatórios.

Resultados promissores também foram observados em relação à pressão arterial, colesterol e controle da glicemia, especialmente em indivíduos com risco cardiometabólico elevado. Embora esses achados sejam encorajadores, os autores destacam a necessidade de ensaios clínicos maiores para confirmar os efeitos.

Uma fruta com composição nutricional única

Os mirtilos silvestres, também chamados de mirtilos-anões, crescem em ambientes naturalmente estressantes, como regiões frias do Maine e do leste do Canadá. Essas condições favorecem a produção de antocianinas, um grupo de polifenóis com potente ação antioxidante. Estima-se que essas frutas contenham cerca de 30 tipos diferentes desses compostos.

Quanto consumir para obter benefícios?

Nos estudos analisados, os efeitos positivos foram observados com porções realistas, equivalentes a cerca de uma xícara de mirtilos silvestres por dia. Como são amplamente comercializados congelados, podem ser facilmente incorporados à rotina alimentar ao longo do ano.

Ao reunir evidências sólidas sobre múltiplas vias biológicas, essa revisão reforça o papel dos mirtilos silvestres como aliados da saúde cardiometabólica, especialmente quando inseridos em uma dieta equilibrada.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.