Exposição ao 5G é perigosa? Estudos europeus trazem respostas

Pesquisas analisam efeitos do 5G no corpo humano. (Foto: Getty Images via Canva)
Pesquisas analisam efeitos do 5G no corpo humano. (Foto: Getty Images via Canva)

Durante a expansão acelerada das redes 5G na Europa, uma pergunta passou a circular com força entre a população: afinal, a exposição diária a essa tecnologia representa um risco para a saúde? Para responder a essa dúvida de forma objetiva, cientistas europeus vêm conduzindo uma das mais amplas investigações já realizadas sobre campos eletromagnéticos de radiofrequência no mundo real.

Em vez de se basear em simulações teóricas, os pesquisadores decidiram medir o que realmente acontece no cotidiano das pessoas. Os resultados começam a trazer respostas mais claras e, até agora, tranquilizadoras.

Como a ciência está medindo a exposição ao 5G

O centro dessas investigações é o projeto GOLIAT, integrado ao consórcio CLUE-H, um conjunto de estudos financiados pela União Europeia voltado à relação entre campos eletromagnéticos e saúde. A iniciativa reúne dezenas de instituições científicas de diferentes países para padronizar métodos, compartilhar dados e fortalecer a qualidade das evidências.

Para entender a exposição real, pesquisadores realizaram centenas de medições ambientais em áreas urbanas e rurais. Foram utilizados exposímetros portáteis e sensores acoplados a smartphones, capazes de registrar emissões de radiofrequência em diferentes situações do dia a dia.

As análises incluíram cenários como:

  • telefone em modo avião
  • uso moderado de aplicativos
  • consumo intenso de dados, como vídeos ao vivo

Os dados mostraram que, em todos os contextos avaliados, a exposição ao 5G permaneceu bem abaixo dos limites internacionais de segurança, que já incluem margens amplas de proteção.

Ambientes urbanos e rurais apresentam diferenças

Embora os níveis estejam dentro dos padrões seguros, a exposição não é exatamente igual em todos os locais. Em áreas urbanas densas, a presença de mais antenas gera sinais mais constantes, porém estáveis. Já em regiões rurais, podem ocorrer picos breves de emissão, quando o celular precisa transmitir com mais potência devido à cobertura mais fraca.

Mesmo nesses casos, os valores registrados ficaram significativamente abaixo dos níveis considerados prejudiciais à saúde.

O que os estudos em humanos revelam

Além das medições ambientais, pesquisas controladas também avaliaram possíveis efeitos imediatos do 5G no organismo. Em testes laboratoriais, voluntários saudáveis foram expostos a sinais 5G na frequência de 3,5 GHz, uma das mais utilizadas na Europa.

Os pesquisadores analisaram indicadores fisiológicos como:

  • função cardíaca
  • atividade cerebral
  • temperatura da pele
  • níveis de estresse

Até o momento, nenhuma alteração mensurável foi identificada em condições que simulam a exposição ambiental real. Esses resultados reforçam avaliações de segurança já existentes, embora os cientistas destaquem a importância de acompanhar possíveis efeitos de longo prazo.

Comportamento pesa mais que a radiação

Outro ponto central dos estudos é separar o impacto da radiação dos efeitos do uso excessivo de dispositivos digitais. Distúrbios do sono, por exemplo, tendem a estar mais associados à luz da tela, notificações constantes e estímulo mental do que à exposição aos campos eletromagnéticos.

Pesquisas de acompanhamento prolongado estão sendo conduzidas para diferenciar causa e correlação, especialmente em crianças e jovens adultos, analisando aspectos como cognição, sono e saúde mental.

Ao reunir medições ambientais, estudos laboratoriais e análises comportamentais, os projetos europeus ajudam a reduzir a lacuna entre tecnologia e percepção pública. Até agora, as evidências indicam que a exposição cotidiana ao 5G, dentro dos padrões atuais, não representa risco conhecido à saúde.

Com a chegada futura das redes 6G, os cientistas reforçam que o monitoramento contínuo será essencial. A diferença, agora, é que as respostas estão cada vez mais baseadas em dados reais, e não apenas em suposições.

Rafaela Lucena é farmacêutica, formada pela UNIG, e divulgadora científica. Com foco em saúde e bem-estar, trabalha para levar informação confiável e acessível ao público de forma clara e responsável.