O buraco negro supermassivo M87*, localizado a 55 milhões de anos-luz da Terra, é conhecido por seu imenso jato de partículas carregadas, visível a milhares de anos-luz de distância. Apesar das imagens históricas de 2019 que mostraram sua sombra e o anel luminoso de gás ao redor, a origem exata do jato permaneceu um mistério. Recentes estudos baseados em dados do Telescópio Horizonte de Eventos (EHT) de 2021 oferecem os primeiros indícios de onde essa energia colossal é lançada.
Observando escalas diferentes para encontrar a base
A técnica utilizada, interferometria de linha de base muito longa (VLBI), combina radiotelescópios ao redor do mundo para criar um “telescópio virtual” capaz de resolver detalhes extremamente pequenos perto do buraco negro. Diferentes escalas espaciais revelam diferentes aspectos:
- Linhas de base longas (milhares de km): destacam o anel luminoso ao redor de M87*;
- Linhas de base curtas (centenas de metros): captam a emissão do jato estendido;
- Linhas de base intermediárias: conectam o material ao redor do buraco negro à origem do jato, permitindo identificar a sua base.

Com essa abordagem, os pesquisadores detectaram uma região compacta a cerca de 0,09 anos-luz do buraco negro, possivelmente a fonte inicial do jato.
Comparando intensidades de rádio para localizar o jato
A análise mostrou que a intensidade de rádio medida em linhas de base intermediárias é maior do que a captada pelas linhas de base longas. Isso sugere que parte da emissão não vem apenas do anel de gás quente, mas de uma região adicional, provavelmente associada ao braço sul do jato já observado em frequências menores (86 GHz).
Embora esses resultados representem um avanço significativo, novas observações com o EHT e o Grande Telescópio Milimétrico no México serão essenciais para detalhar a morfologia do jato, confirmando sua posição e características. Este progresso abre caminho para testar teorias sobre física de buracos negros e compreender como esses motores cósmicos operam.

