Dormir com o celular ao lado da cama pode parecer inofensivo, mas evidências científicas recentes indicam que esse hábito está associado a menos horas de sono e alterações no horário de dormir. Um grande estudo de saúde pública publicado em 2025 reforça que a exposição a telas eletrônicas à noite afeta negativamente o descanso de adultos.
A investigação analisou a relação entre uso de telas eletrônicas, duração do sono e horário de adormecer, revelando impactos consistentes mesmo em pessoas sem diagnóstico prévio de distúrbios do sono.
O que o estudo analisou
A pesquisa intitulada Uso de telas eletrônicas e duração e horário do sono em adultos (DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2025.2493) foi publicada em 27 de março de 2025 na revista científica JAMA Network Open. O estudo foi liderado por Charlie Zhong, com participação de pesquisadores como Matthew Masters e Sidney M. Donzella, e avaliou dados populacionais em larga escala.
Os pesquisadores investigaram hábitos de uso de telas, incluindo celulares, tablets, computadores e televisões, e cruzaram essas informações com padrões de sono autorrelatados.
Menos sono e horários mais tardios
Os resultados mostraram que adultos que utilizam telas eletrônicas próximo ao horário de dormir dormem menos horas e tendem a adormecer mais tarde. A associação foi observada de forma consistente, mesmo após o controle de fatores como idade, sexo, rotina de trabalho e condições de saúde.
Entre os principais achados do estudo estão:
- Redução significativa da duração do sono
- Atraso no início do sono
- Maior irregularidade no horário de dormir
- Pior alinhamento com o ritmo circadiano
Esses efeitos foram mais pronunciados em indivíduos que mantinham uso frequente de telas nas horas que antecedem o sono, incluindo aqueles que dormem com o celular ao alcance da mão.
Por que o celular interfere no descanso?
A exposição à luz emitida por telas eletrônicas interfere diretamente na produção de melatonina, hormônio essencial para induzir o sono. Além disso, estímulos visuais e cognitivos ativam áreas do cérebro ligadas à atenção e ao alerta, dificultando o relaxamento necessário para iniciar o descanso profundo.
O estudo publicado na JAMA Network Open destaca que não é apenas o tempo total de tela que importa, mas principalmente o momento da exposição, sendo o período noturno o mais sensível para o cérebro.
Impactos para a saúde a longo prazo
Dormir menos horas ou em horários irregulares está associado a maior risco cardiovascular, alterações metabólicas, ganho de peso, piora da saúde mental e redução do desempenho cognitivo. Por isso, hábitos cotidianos como levar o celular para a cama podem ter consequências que vão além do cansaço no dia seguinte.
Os dados reforçam que a higiene do sono deve incluir a redução do uso de telas à noite, especialmente em adultos que acreditam estar menos vulneráveis a esse tipo de interferência.
Estratégias para melhorar a noite de sono
Com base nos achados, estratégias simples podem ajudar a proteger o sono:
- Evitar telas ao menos 60 minutos antes de dormir
- Manter o celular fora do quarto ou longe da cama
- Priorizar ambientes escuros e silenciosos
- Criar uma rotina noturna sem estímulos digitais
O estudo de 2025 fortalece o consenso científico de que a tecnologia, quando usada à noite, pode comprometer a qualidade e a duração do sono, tornando o celular um fator silencioso de privação de descanso.

